“Más notícias” – como dar?

      Podemos definir como “más notícias” quaisquer informações que possam afetar gravemente a visão de um indivíduo sobre seu próprio futuro, a curto, médio ou longo prazo, mesmo que o tempo possa amenizar ou reverter a situação do momento.
A “má notícia” pode ser câncer, mas pode igualmente ser a doença de Parkinson, artrite reumatoide, esquizofrenia, psoríase, diabetes ou qualquer outra doença que modifique a vida. Pode ser sobre uma criança que tem danos cerebrais ou uma condição congênita grave.
De fato, dar uma “notícia ruim” é uma habilidade essencial para todos os médicos, pois é algo que eles vão fazer centenas, senão milhares de vezes em suas carreiras profissionais.
Historicamente, foi dado pouca ou nenhuma atenção especial à isso, na formação médica. Hoje, existe um cuidado maior em instrumentalizar, técnica e emocionalmente os estudantes de medicina para esta prática.  No entanto, o equilibrio emocional e as habilidades de cada profissional é o grande desafio .
Estudos sugerem que uma série de fatores podem afetar a capacidade de um médico para dar “as más notícias” com sensibilidade, incluindo o cansaço e fadiga, dificuldades pessoais, crenças comportamentais e atitudes subjetivas, tais como um medo pessoal de morte.
A comunicação adequada e compreendida entre médico e paciente pode influenciar de maneira considerável, particularmente com pacientes com câncer, os melhores desfechos clínicos e psicossociais, incluindo melhor controle da dor, melhor adesão ao tratamento, compreensão sobre o prognóstico e satisfação por ter sido envolvido na tomada de decisão – SOBRE SUA VIDA.
De fato, dar uma “má notícia” é uma habilidade complexa, e requer, além do componente verbal, a capacidade de reconhecer e responder às emoções do paciente, lidar com o estresse que essa nova situação cria e ainda ser capaz de envolver o paciente em qualquer tomada decisão,  sempre mostrando a possibilidade de um resultado positivo.
Para o médico, dar uma “má notícia” pode ser apenas mais um momento no seu dia de trabalho, mas ele sabe que para o paciente e a sua família é um momento crucial de sua existência. Tenham certeza, que o médico possui uma carga forte emocional nestes casos e sabe que precisa usar o máximo de objetividade e praticidade para enfrentar com a maior clareza possível e mostrar todas as facetas do problema, desde o tipo do tumor, suas variáveis e o estágio em que ele se encontra, além disso todas as alternativas possíveis de tratamento.
Estamos citando o câncer, mas isso se aplica para todas as doenças.
Diante dessa nova situação, pacientes e familiares podem se beneficiar com um adequado ACOLHIMENTO PSICOLÓGICO de apoio, para que possam falar o que sentem e suas maiores angustias, trabalhar melhor com suas emoções e, consequentemente, em cumplicidade com a equipe, participar na tomada de decisões sobre tratamento e SOBRE SI MESMO.

Dra. Gabriela Santos
Médica Mastologista – CREMERS 24627