A Baleia é Azul ou a Casa?

Qual a cor predominante dentro do seu lar? O jogo da Baleia Azul convida todos a um debate urgente perante o tema e ao enfrentamento de uma verdade alarmante: crianças e adolescentes também sentem dores emocionais, padecem de depressão, sofrem com o abandono e não se satisfazem com ganhos materiais, colégios excepcionais e viagens anuais à Disney. A adolescência é a fase da vida na qual passamos pelas maiores mudanças físicas, emocionais e comportamentais. Alterações comportamentais devem ser consideradas como possíveis indícios de transtornos mentais, principalmente de depressão. Essas alterações são: isolamento social, perda de interesse por coisas que gostava, problemas com o sono, cansaço, piora no rendimento escolar, mau humor, choro fácil, alterações no peso e no apetite. Não se deve tratar do assunto suicídio como “uma opção”. As pessoas, nessas situações, estão doentes (depressão é o transtorno mais frequente) e precisam de ajuda. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão é o transtorno mental que mais gera prejuízos e incapacidades entre os adolescentes, sendo o suicídio a terceira causa de morte nessa faixa etária. O ato de machucar-se propositalmente é um dos principais fatores de risco da progressão de uma ideação suicida para um comportamento potencialmente suicida. As causas da depressão na adolescência são múltiplas: história familiar, traumas infantis, bullying, drogas, doenças físicas, conflitos familiares, entre outros. Não se deve atribuir, ao comportamento suicida, uma causa isolada. Ninguém escolhe ficar deprimido. Portanto, culpar, cobrar em excesso e humilhar o indivíduo que está em sofrimento mental não é uma atitude adequada. Ao identificar alguém que esteja apresentado os comportamentos listados, é importante buscar ajuda profissional, mesmo que a pessoa não se reconheça com o problema. Prorrogar esse auxílio agrava o quadro clínico. Conforme a publicação Mapa da Violência, que se baseia em dados coletados pelo Ministério da Saúde, as faixas em que as taxas de suicídio mais cresceram no Brasil, entre 2002 e 2012, foram as dos 10 aos 14 anos (40%) e dos 15 aos 19 anos (33,5%). No Rio Grande do Sul, de acordo com estatísticas da Secretaria Estadual da Saúde, ocorreram 60 suicídios nesse grupo em 2013, o maior número desde 2009. Essas mortes são a face trágica de um problema muito mais abrangente, que diz respeito às tentativas de tirar a própria vida. De acordo com os registros existentes no Centro de Informações Toxicológicas (CIT), 4.658 crianças e adolescentes gaúchos tentaram se matar, apenas por autointoxicação, entre 2005 e 2013. Psiquiatras e outros profissionais de saúde devem ser procurados, a fim de guiar o tratamento e de prevenir complicações.
Dr. Ricardo Fasolo
Cremers 32657
Psiquiatra da Infância e Adolescência

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 01 de maio de 2017.