A crise da modernidade
Uma sensação de sufocamento, subitamente o ar parece faltar, o coração palpita e acelera descontrolado… Logo, um aperto no peito e as mãos suando frio… Quem nunca ouviu falar em crise de pânico?

Esta é a pauta do dia… A bola da vez… Uma doença diagnosticada há vários anos, décadas, medicamente muito conhecida, mas paradoxalmente muito pouco analisada.

Muitos chegam ao nosso consultório, ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia.

A maioria dos pacientes passa por vários médicos de especialidades diferentes em busca de uma resposta e do tratamento para tanta ansiedade, sem muitas vezes acreditar que tantos sintomas físicos sejam provenientes de problemas emocionais.

Se adotarmos um discurso único, admitindo a existência de uma doença orgânica, correremos o risco de recair no reducionismo.

Descrevemos o pânico com base não apenas no fenômeno em si, mas inserido numa matriz social que coloca em discussão as configurações da sociedade contemporânea, vinculadas aos ideais e maneiras de viver dos sujeitos contemporâneos.

O ambiente pós-moderno propiciou uma atmosfera que abalou as bases do sentimento de segurança, visto que as relações que mantinham as pessoas vinculadas perderam sua relevância.

Se a sociedade antiga era mais rígida, em muitos aspectos a atual é, por vezes, desnorteante em sua fragmentação e aceleração do ritmo das mudanças; se aquela opunha ao avanço do indivíduo obstáculos sedimentados na tradição, a de hoje já não oferece valores nem rumos claramente identificáveis.

Nesse sentido, o pânico parece remeter às angústias mais primitivas do desenvolvimento infantil, entrando em jogo a questão da segurança e da confiança.

Neste sentido, fica evidente que o que anteriormente era tratado de forma simples e prática, com o uso de algumas medicações disponíveis no mercado; hoje se percebe inviável sem a busca de um entendimento.

Dra. Caroline Peter Scherer
CRM 25436