A importância da individualização para a paciente (na menopausa)

Protocolos têm sido empregados mundialmente para diminuir custos, facilitar o trabalho  e  o controle das organizações na logística dos serviços em massa.  Não é diferente na Medicina: surgem protocolos da Organização Mundial da Saúde, do Instituto Nacional do Câncer,  além de muitos outros.

Desses protocolos veio a tal ideia de que para mostrar exames não se precisa marcar, cobrar consulta de planos de saúde, nem as pacientes pagarem co-participações no retorno. E realmente há consultas simples só para rotina, coleta de preventivo ( pré-câncer ou Papanicolau ), solicitação de mamografia,  etc.. Os protocolos do Canadá e Suécia nesse caso, determinam que vai cartinha para a paciente se o preventivo , exame de Papanicolau, está anormal  ou a mamografia apresenta alguma alteração  e não vai  informação alguma  se há normalidade nos resultados. Repito:  vai cartinha, dizendo para a paciente comparecer dia tal, hora tal para procedimento , ou cauterização, ou cirurgia do colo de útero e/ou biópsia de mama, etc. quando há alteração significativa e indicação de tratamento cirúrgico. Não há diálogo preparatório ao procedimento , isso é custo para o sistema de saúde. Nesses países que denominamos “desenvolvidos“  não há reconsulta para ver exames, o paciente não recebe os exames, só fica sabendo que houve problema se receber cartinha…os exames ficam arquivados no centro médico que atende o paciente.
Imaginemos pacientes complexas, após a menopausa, por exemplo: com sintomas tipo calorões, sintomas depressivos, falta de libido, dor nas relações sexuais, insônia, deficiência de vitamina D, ingestão baixa de cálcio, osteopenia ( ossos fracos ), perfil lipídico no sangue alterado  e/ou sobrepeso para as quais pedimos diversos exames . É evidente que precisaremos marcar para ver com a paciente os resultados, discuti-los e programar as condutas terapêuticas visando melhorar os sintomas e as anormalidades. Então é óbvio que o médico precisará tempo, precisará marcar o retorno e ter remuneração do plano de saúde.  As nossas pacientes brasileiras,   não gostariam de receber uma cartinha padrão, com orientações terapêuticas, com sugestão de alimentação, etc. Não é da nossa cultura, mas começou a fazer parte de protocolos médicos internacionais, tendo chegado essa ideia ao Brasil.
Estou convencida de que é muito importante sentar e conversar com a paciente, discutir seus exames, suas expectativas e possibilidades terapêuticas.  A interação favorece o vínculo, a individualização das condutas   e a aderência ao tratamento. Esse artigo tratou  do tratamento  da menopausa , mas o mesmo vale para todas as áreas na Medicina.
Dra. Carmem Helena Snel
Especialista em Ginecologia e Acupuntura Médica pela
Associação Médica Brasileira – CRM 13284 RS