A importância de doar medula óssea
O transplante de medula óssea, hoje mais comumente chamado de células tronco hematopoiéticas, é um procedimento na qual se visa à correção de um defeito qualitativo ou quantitativo da medula óssea (o tecido formador de todos os elementos figurados do sangue) através da infusão de células progenitoras hematopoiéticas. A primeira tentativa ocorreu em 1939, e desde então se avançou nesta área da medicina, passando o transplante ser aceito como uma modalidade curativa para as mais diversas doenças malignas (como leucemias, linfomas e tumores sólidos) até doenças benignas (anemia falciforme, talassemia e outras).
Apesar da ampla variedade de indicações, o transplante de medula óssea esbarra em um problema sério: a falta de doadores aparentados, ideal fonte de células tronco, devido à maior fonte de compatibilidade entre pessoas de uma mesma família.
Essa compatibilidade é avaliada por meio de investigação dos chamados antígenos de histocompatibilidade principal, conhecidos pela sigla HLA. Assim pela compatibilidade das HLA entre irmãos, pessoas de uma mesma família a chance de compatibilidade é de somente 20 a 30%. Desta forma quando um paciente necessita de um transplante de medula óssea e não possui doadores aparentados, inicia-se a busca no Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Este tem crescido nos últimos anos graças às campanhas comunitárias que são realizadas em todo Brasil. Em 2000 tínhamos 12 mil inscritos e hoje este número ultrapassa 1,6 milhões de doadores inscritos, sendo que o Brasil atualmente é o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. Todo processo no REDOME é totalmente informatizado. Os doadores são cadastrados no sistema informatizado central no INCA com o cruzamento de informações junto ao Registro Brasileiro de Receptores de Medula Óssea, onde estão os tipos de HLA dos candidatos a transplante de medula óssea no Brasil. Caso haja compatibilidade entre doador e receptor nos respectivos registros o doador é acionado e realizará a coleta de células tronco no centro mais próximo do seu domicílio, onde uma equipe médica já aguarda o material coletado para transplante até onde ocorrerá o transplante. Hoje no Brasil são 42 centros para transplantes entre familiares e oito para transplantes com doadores não parentes.
Apesar do crescimento no número de doadores e efetivo esforço público e privado, as chances de encontrar um doador não parente é de 1 para 100.000, portanto quanto mais doadores cadastrados, maior a probabilidade de um paciente alcançar a cura através de um transplante de medula óssea de não parentes.
Quem pode se cadastrar como doador voluntário? O candidato deve ter entre 18 e 55 anos, e estar em boas condições de saúde.
Como se cadastrar?  Basta procurar o hemocentro de sua cidade, levando documento oficial com foto. Lá se realiza uma pequena entrevista para esclarecimento de dúvidas e avaliação candidato, procedendo-se a seguir a coleta de uma amostra de sangue (cerca de 10 ml)
Como é feita a coleta de células tronco?  Na maioria das vezes se processa pela coleta de amostra periférica em uma veia do membro superior ou quando isto for difícil pela colocação de um cateter em vaso mais profundo.
Faça sua parte: cadastra-se no hemocentro mais próximo e seja um doador de medula óssea.
Dr. Raul Cassel
CRM 15315
Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 20 de junho de 2016.