A importância dos exercícios no ronco

O ser humano foi nômade por milhares de anos. Precisava caçar para sua subsistência, caminhar grandes distâncias para conseguir a caça, necessitava ser ágil para fugir de predadores. A comida não era farta e o exercício físico obrigatório, fazendo que nossos ancestrais dificilmente fossem obesos. Com a agricultura, pecuária e, principalmente, com a Revolução Industrial, começamos a ficar sedentários e com fartura de alimentos (grande parte com pouco valor nutritivo). Essa introdução serve para entendermos que nosso corpo foi desenvolvido para se manter ativo e com ingesta limitada de calorias, foi assim por milhares de anos.

O peso acima do normal é o principal fator de risco para a doença do ronco e apneia do sono. Quando engordamos, há um aumento de volume em bolsas de gordura na nossa via aérea, levando a um estreitamento e a uma flacidez dos tecidos. Essas alterações causam uma vibração dos tecidos da garganta (o ronco) e até o fechamento completo da passagem de ar (apneia). Claro que existem outros fatores que contribuem, como obstrução nasal, tamanho das amígdalas, anatomia da garganta e da mandíbula. Entretanto, em todos os estudos o principal fator é o peso.

Pacientes com obesidade mórbida que fazem cirurgia bariátrica melhoram consideravelmente do ronco e da apneia. Vemos o mesmo resultado em pacientes que perdem peso com reeducação alimentar e exercícios. O grande problema é que a apneia e o sobrepeso se tornam um ciclo vicioso. Estudos mostram que pacientes com apneias sofrem um desequilíbrio tão grande no metabolismo (por não dormirem bem) que têm muito mais dificuldade de perder peso. Portanto, o peso piora a apneia, que piora o peso e assim por sucessivamente. O maior desafio no tratamento desses pacientes é cortar o ciclo para que ambos os fatores melhorem.

A atividade física regular aumenta a velocidade do nosso metabolismo, fazendo com que gastemos mais energia. Uma alimentação saudável leva a uma ingesta adequada de calorias, portanto, entrando menos e gastando mais fica mais fácil mantermos o peso ideal. Estudos mais recentes mostram que a atividade física exerce outros fatores benéficos além de aumentar o gasto energético, o exercício faz com que usemos partes do nosso DNA que estavam dormindo (estavam sedentários assim como seu dono). Essas partes que não estavam sendo utilizadas fazem com que haja uma modificação em várias coisas, como tipo de fibras musculares, aumento de tônus muscular, mediadores que melhoram os níveis do colesterol, hormônios, etc.

O amento do tônus muscular é muito importante para manter a garganta aberta, para que não vibre e não feche. Existem até exercícios específicos para melhorarmos esse tônus com bons resultados em casos específicos. A atividade física também melhora a qualidade do sono, desde que feita em horários adequados.

O ser humano foi desenvolvido para se manter em atividade. Quando ficamos sedentários, também fazemos com que partes do nosso DNA que agiam em prol da nossa saúde acabem inutilizados. A consequência é aumento do peso, roncos, apneias, risco aumentado de doenças cardiovasculares, etc. Portanto, vamos nos mexer, nosso corpo agradece!

Dr. Eduardo Homrich Granzotto
Otorrinolaringologista
CREMRS – 27691