A melhor medicina é a preventiva

A polêmica à respeito da vinda dos médicos cubanos trouxe, embora de forma muito tangencial, uma discussão importante sobre como cuidamos de nossa saúde – a prevenção de doenças e desfechos graves e a abordagem da medicina de família.

O Programa de Medicina de Família do governo foi criado justamente para trazer o profissional médico e uma equipe multidisciplinar para abordar a população de uma maneira totalmente diferente do que era feito antes. O objetivo é inserir os profissionais dentro das comunidades, de forma que possam conhecer as famílias que moram ali e determinar estratégias para melhorar a saúde de todos. Embora sua implementação ainda seja tímida, se compararmos com os objetivos citados, seu impacto já pode ser sentido.

Conhecer intimamente as condições sanitárias da comunidade, as principais causas de doença e morte e a cultura local sobre o processo saúde e doença tem impacto muito maior do que qualquer remédio lançado pela indústria farmacêutica.

É comum os pacientes comparecem aos consultórios médicos para uma “avaliação de rotina”, acreditando que uns poucos exames sejam o suficiente para estarem “seguros por aquele ano”. Existe uma mística do “exame anual”, e creiam, esses poucos exames, multiplicados muitas e muitas vezes, são apenas uma das razões do porquê o seu plano de saúde ficou tão caro.

Mas então, como se faz prevenção? Embora muitas vezes não seja tão fácil assim, grande parte das medidas não tem custo nenhum e são, de maneira geral, amplamente conhecidas da população:

1) Não fumar

2) Comer com pouco sal

3) Praticar atividade física regularmente (caminhada em torno de 30 minutos 5 vezes por semana é adequado)

4) Meça a pressão periodicamente (pelo menos 1 vez ao ano)

Talvez, de todas as medidas, a mais importante seja esta: saiba a sua história de saúde e de seus familiares com algum detalhe. Não é preciso saber todos os nomes, datas exatas ou tratamentos oferecidos, mas esta última dica talvez é a mais importante de todas. É aí onde o médico pode fazer a maior diferença, estimando os seus riscos e montando a avaliação preventiva moldada para o seu caso, especificamente. E é nesse detalhe que os médicos devem se destacar: antes de mais nada, uma boa conversa com o paciente.
Dr. Pedro Guilherme Schneider
Medicina Interna / Reumatologia
CRM – 28572