A terapia dos animais

Animais de estimação têm ocupado espaços cada vez mais privilegiados como integrantes das famílias contemporâneas. Muitas pessoas se desvelam por seus mascotes por muito mais empenho que por qualquer membro de sua própria espécie.

Os animais sempre estiveram próximo do homem. Ao longo da história da humanidade, a domesticação de algumas espécies transformou tanto os animais quanto os hábitos e alguns estilos de vida das pessoas. Desse modo, a vinculação humana com os bichos de estimação acrescentou um novo tipo de relação com complexidade e características próprias.
o contato com animais pode ser ponto de partida para o desenvolvimento de diferentes habilidades, tais como aprendizagem de conceitos, estimulação da linguagem, motricidade e expressão de emoções.

Sentimentos difíceis de serem vivenciados no mundo humano encontram possibilidade de manifestar-se na relação com os animais. A forma como cada um lida com as situações vividas, com os animais permite uma comunicação de seu mundo interno, valores e sentimentos, revelando aspectos subjetivos.

Temos a necessidade do contato físico direto, mas este contato entre as pessoas nem sempre é bem aceito socialmente e muitas vezes amarras psíquicas tornam difícil buscá-lo, já o animal doméstico costuma se oferecer a este afago.

A relação da criança com o animal permite nuances diferentes das estabelecidas com pessoas e objetos inanimados. Ainda nos primeiros anos é possível perceber que brinquedos não podem dividir sentimentos, pois não são vivos, não crescem e nem respondem. Diferente da relação que estabelece com a boneca, a criança pode conceber o animal como parte de si mesma, de sua família, capaz de passar pelas mesmas experiências que vive.
Esse relacionamento oferece aos pequenos a possibilidade de se expressar mais livremente.

É no brincar, que o indivíduo adulto ou criança, pode ser criativo e utilizar sua personalidade de cada um. As pessoas tendem a procurar nos animais características que lhes ofereçam complementaridade psíquica ou identificação.

Muitas, a simples presença do animal estimula processos cognitivos, ajuda idosos a relembrar fatos da juventude, motiva pacientes a enfrentar tratamentos desconfortáveis e dolorosos com menos resistência, favorecem a recuperação física e estimulam a criatividade e a predisposição ao aprendizado de crianças.

A interação entre cães e humanos deflagra – para ambos – alterações hormonais por períodos de 15 minutos. A liberação destas substâncias diminui no organismo a ação do cortisol, o hormônio do stress, provocando sensações de bem-estar.

A proposta é que através da presença dos animais, haja um estímulo afetivo e o estabelecimento de um elo terapêutico, através do qual o animal se tornará o fiel depositário dos conflitos e das alegrias do indivíduo.

Dra. Caroline Peter Scherer – Psiquatra – CRM 25436
Publicado no Jornal NH – 27 de agosto a 02 de setembro de 2012