Adesão ao tratamento anti-hipertensivo

As pesquisas sobre a adesão ao tratamento cresceram rapidamente nos últimos 50 anos, uma vez que as doenças crônicas apresentam prevalência maior e o seu controle cada vez mais dependentes do comportamento do paciente. Os pacientes apresentam adesão ao tratamento quando eles seguem o que os profissionais da saúde recomendam. A baixa adesão provoca o gasto de recursos, perda da produtividade, além de morbidade e mortalidade que podem ser prevenidas.

A baixa adesão ao tratamento foi identificada como um dos maiores problemas de saúde pública em hipertensão. Assim, há vários estudos voltados para identificar os fatores que contribuem para a baixa adesão, como as estratégias para a melhora. Estimativas mostram que a baixa adesão ocorre em 30% a 50% dos pacientes. Estimam que 50% dos pacientes abandonam o tratamento quando os sintomas melhoram e 2/3 permanecem sob tratamento, mas não ingerem os medicamentos em dose adequada, para atingir a meta de controle de pressão arterial.

Alguns fatores definem a adesão e estão relacionados à frequência nas consultas, aos cuidados ao tratamento não medicamentoso de suporte, ao nível socioeconômico, ao custo da medicação e ao comportamento emocional do paciente.

No hospital das clinicas da universidade de São Paulo, os pacientes com hipertensão arterial que receberam ligação telefônica para serem lembrados da próxima consulta, assim como receberam informações sobre a doença em revistas e palestras, apresentaram porcentagem equivalente à metade de abandono, comparando-se aos pacientes que não receberam este mesmo atendimento.

Considerando a hipertensão arterial ser uma doença crônica, portanto, necessitando de acompanhando de tratamento crônicos, ou seja, continuados, naturalmente que a relação médica paciente é fundamental para adesão ao tratamento. Os dois maiores problemas da relação médico paciente estão relacionados à insatisfação do paciente, com as informações recebidas durante a consulta e o fato dos pacientes não seguirem adequadamente as recomendações.

A concordância entre o médico e o paciente pode estar relacionada à resolução dos problemas de saúde além da maior participação do paciente na busca de conhecimento sobre seu problema de saúde, aumentando desta forma a sua satisfação, adesão e o melhor resultado no tratamento.

O encorajamento do paciente para discutir suas preocupações, sentimentos e expectativas, ouvindo-o com empatia, assim como as explicações claras verificando o entendimento do paciente, negociando um plano de tratamento, colaboram para maior adesão.

A abordagem paternalística deve ser evitada na relação médico paciente. As crenças e perspectivas dos pacientes precisam ser incorporadas no encontro com o médico, especialmente sobre o prazo do uso dos hipertensivos, que normalmente são recomendados para toda vida.

Muitos pacientes tentam fazer experimentos deixando de ingerir os medicamentos, para saber como se sentirão sem eles, diminuindo as doses ou ingerindo outros produtos alternativos. Há de se considerar ainda que muitos pacientes comparam a evolução de sua doença a de familiares, amigos e vizinhos, gerando conclusões imprecisas.

Para finalizar a maioria dos pacientes se queixou sobre a duração de consulta, pleiteando tempo maior para explicações e informações na relação médico paciente além da falta de entendimento da linguagem e da escrita nos receituários, concluindo através do que foi descrito, está muito claro que o tratamento da doença hipertensiva vai muito além do fato de incluir um comprimido.

Dr. Raul Cassel
Médico e vereador

Fonte: Jornal NH – Caderno Saúde – Segunda-feira, 10 de outubro de 2016.