Alergia ou intolerância?
Atualmente, um alimento muito presente nos nossos hábitos diários, tem sido alvo de polêmicas: o leite. As adulterações que ocorreram nos últimos meses, têm trazido à tona muitos questionamentos sobre algumas situações clínicas muito frequentes, a intolerância à lactose e a alergia à proteína do leite de vaca. Seriam elas consequência da má qualidade do produto? Não. Tratam-se de duas doenças distintas:
INTOLERÂNCIA À LACTOSE: ocorre pela deficiência da produção da lactase pelas células intestinais. Essa enzima é responsável pela digestão da lactose, que é o açúcar do leite. Geralmente, ocorre após os 4 anos, podendo ser diagnosticada na idade adulta. Causa a sensação de “barriga inchada”, “estufamento” pela produção de gases, e em graus mais avançados, diarreia importante. Os sintomas ocorrem logo após a ingestão de leite ou derivados (queijos, iogurtes, chocolates,…) e dependem da quantidade ingerida e da quantidade da produção da enzima. Ou seja, pequenas porções de leite podem ser toleradas. Uma vez diagnosticada, temos a possibilidade de utilizar a reposição da enzima e continuar a ingerir produtos com leite. Confirmada a intolerância, a tendência é permanecer intolerante, visto que a produção da lactase é determinada geneticamente.
ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA: ocorre por alteração imunológica, estimulada pela proteína do leite. Pode causar formação de anticorpos contra o leite (IGE mediada) ou inflamação direta das células intestinais (forma celular). Essa situação é mais frequente nos primeiros anos de vida, principalmente nos bebês que não recebem leite materno exclusivo. As manifestações clínicas são diversas: crises de choro e irritabilidade, vômitos, regurgitações, dermatites, diarreia, constipação, sangue nas fezes, urticária, choque anafilático, dentre outras. Os sintomas IgE mediados ocorrem imediatamente após a ingestão, enquanto os da forma celular, podem levar até 3 semanas ou mais para surgirem. Na alergia à proteína, qualquer gota de leite, pode provocar e manter os sintomas. Assim sendo, nenhum contato com o leite é permitido. O único tratamento disponível é a dieta de exclusão completa da proteína do leite, com utilização de fórmulas especiais ou leite materno com a mãe em dieta de exclusão da proteína do leite.  Costuma ser autolimitada. Cerca de 95% das crianças estão curadas aos 2 anos de idade, dependendo da maturidade do sistema imunológico.
Fique atento aos sintomas. Procure um profissional de saúde para confirmação do diagnóstico.
 
DRA. JULIANA CRISTINA ELOI   –  CRM 024705
GASTROENTEROLOGIA PEDIATRICA