Automedicação para dor
A prática da automedicação ainda é muito comum em nossa cultura. Ela leva a riscos importantes, pois os fármacos tem indicações específicas de uso. Mesmo que você sinta uma dor semelhante a que sentiu há 6 meses, o diagnóstico pode ser totalmente diferente.
Na reumatologia, a automedicação é muito frequente, já que os pacientes não toleram a dor, por qualquer motivo que seja. Isso é compreensível mas, além dos riscos do uso inadequado (efeitos adversos indesejáveis ou graves), se acrescenta também o fato que a doença do paciente se torna “mascarada”, o que dificulta o diagnóstico correto.
As medicações mais utilizadas para dor podem ser divididas seguintes classes:
Analgésicos simples (paracetamol, dipirona): medicações com bom efeito para dor, de uso frequente em nosso meio. Primeira escolha dos médicos para a maioria das dores leves a moderadas. Têm um bom perfil de segurança, em especial o paracetamol. Disponíveis para compra sem necessidade de receita médica. Mesmo estas medicações, idealmente, deveriam ser prescritas pelo médico com a orientação de uso delas e riscos. Ao menos, tenha o cuidado de ler a bula para usar a dose adequada.
Anti-inflamatórios não esteroidais (diclofenaco, nimesulida, ibuprofeno, além de vários outros): também apresentam bom efeito analgésico. Como o próprio nome diz, atuam melhor em dores devidas a alguma lesão ou inflamação. Apresentam efeitos adversos mais sérios: podem afetar o estômago (gastrite/úlcera), aumentar a pressão, causar inchaço, lesar os rins e o fígado, exacerbar a asma e até mesmo causar meningite (não-infecciosa). Podem aumentar o risco cardíaco. Podem ser comprados sem receita, mas os riscos do uso sem indicação adequada não podem ser ignorados.
Corticóides (prednisona, betametasona, metilprednisolona, dexametasona, entre outros): muito prescrito em casos de dor aguda, estes fármacos são um tipo especial de anti-inflamatório, dito hormonal – eles imitam um hormônio que produzimos naturalmente, o cortisol. Possuem um ótimo efeito em determinadas dores, e são muito disponíveis em formas injetáveis. Se usados cronicamente, porém, levam a diversas consequências: aumento de peso (com acúmulo de gordura de preferência no rosto ou na barriga), estrias, pêlos no rosto, aumento da pressão, aparecimento de diabetes, glaucoma, catarata, osteoporose. Dependendo da dose, aumenta de risco de infecções e alterações de comportamento. Só deveriam ser usados com prescrição médica. Se há necessidade de uso frequente, sempre pergunte ao médico o diagnóstico específico – existem poucas razões que justifiquem o uso prolongado de corticóide, e, sempre que possível, deve haver um plano para tentar a substituição ou retirada dele.
Em caso de dor, em especial moderada a intensa, evite a auto-medicação e procure antes o atendimento médico. Não esqueça que, muitas vezes, o tratamento definitivo pode não passar por essas medicações, mas por outras, mais específicas ou com menos efeitos adversos.
Dr. Pedro Guilherme Schneider
Medicina Interna / Reumatologia
CRM – 28572