Bexiga Caída

A expressão “bexiga caída”, na verdade, inclui um grupo variado de doenças não fatais, mas que podem comprometer seriamente a qualidade de vida das suas portadoras, tanto social e emocional como sexualmente. Os casos são mais comuns a partir dos 40 anos e atingem cerca de 11% das mulheres ao longo da vida.

As principais enfermidades desse grupo são:

  1. Incontinência urinária aos esforços: perda involuntária de urina após um esforço (tal como tossir, espirrar, pular, correr ou erguer peso);
  2. Incontinência urinária de urgência: falta de controle da perda de urina independentemente de esforços, que pode ser pouca ou bastante e acontecer até durante o sono;
  3. Incontinência de fezes ou gases: incapacidade de segurar fezes ou gases durante algum esforço ou mesmo até em atividades rotineiras;
  4. Prolapsos genitais: percepção de uma saliência (bola) na entrada da vagina, com esforços ou não. Essa bolsa, formada pelas paredes da vagina, pode conter porções da bexiga, do reto, útero, intestino delgado ou, ainda, combinações dessas estruturas. Em caso de paciente que retirou o útero, pode haver queda da própria vagina;

As causas conhecidas são muitas, entre as mais comuns estão a gestação, o parto normal, ter outros casos semelhantes na família, trabalhar ou ter trabalhado em serviços pesados, ser obesa, asmática, fumante, constipada ou atleta de alto impacto, entre outras.

São sintomas frequentes: perda de urina, gases ou fezes (que geram a necessidade de uso de forro ou absorventes diários); urgência urinária; dificuldade para conseguir esvaziar totalmente a bexiga ou o intestino e necessidade de levantar muitas vezes à noite para urinar (às vezes não chegando a tempo ao banheiro).

Assim como as causas, os tratamentos também são múltiplos, que vão desde mudanças de hábitos e comportamentos, fisioterapia do assoalho pélvico, exercícios específicos, uso de medicamentos, até cirurgias (com uso ou não de telas). As modernas técnicas cirúrgicas tem um índice de 80 a 95% de cura, podendo chegar à correção completa do problema, no entanto, em poucos casos, acontece a necessidade de mais de uma cirurgia para a reparação completa da doença.

O diagnostico se faz pelas queixas da paciente, confirmadas pelo exame físico, exames específicos (qualitativo de urina e estudo urodinâmico -que avalia a bexiga em funcionamento) entre outros. Não é normal perder urina em nenhuma fase da vida adulta, portanto, apenas uma consulta médica e uma boa avaliação podem determinar o melhor tratamento para cada caso.

Maria Gilca Nunes Scherer
Ginecologista e Obstetra
Pós-graduada em Uroginecologia e Cirurgia Vaginal
CRM 16887

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 17 de abril de 2017.