Bipolaridade, a doença dos excessos

Antes do enigma, a ignorância. O paciente com transtorno bipolar apenas se descobre como tal após incessantes busca de tratamento sem sucesso, trazendo consigo diversos outros diagnósticos, como dependência, de drogas, abuso de álcool, obesidade, distúrbios de caráter ou personalidades, transtorno de pânico…, que foram se adicionando ao longo da vida.

Existe a forma mais leve de manifestação da doença, que se mistura características da própria pessoa, parecendo compor uma estrutura de base, um temperamento que se manifesta na infância ou na adolecência e se confunde com o “jeito de ser” do indivíduo.

Nos quadros leves e nos estados mistos, nem sempre o episódio maníaco se apresenta com euforia excessiva; podendo apresentar irritabilidade, intolerância, hiperatividade. Entre outros sintomas, a diminuição da necessidade de sono, auto-estima elevada, fala excessiva, dificuldade em focar a atenção e o envolvimento com atividades prazerosas porém perigosas, são marcantes.

O paciente em mania não percebe a própria alteração, tem a impressão de estar extremamente bem, como se vivesse a melhor fase de sua vida; por vezes pode precisar de proteção de si mesmo, em função de possíveis atos que possa cometer e se arrepender no futuro. É comum, em algum casos, que o paciente se envergonhe de suas atitudes após uma crise.

Medicamentos são cruciais no tratamento do transtorno bipolar para diminuição da intensidade e do número de episódios do distúrbio. Mas a farmacologia em limitações. Mesmo os sintomas residuais, entre as fases, nem sempre são passíveis de total controle.

A psicoterapia tem papel fundamental para ajudar a pessoa a se conhecer melhor, ficar mais atenta a si, aprendendo a reconhecer sintomas. Deverá favorecer o comprometimento do paciente com o tratamento farmacológico, a reconstrução da vida afetiva e pessoal do paciente se tornam necessárias, visto que os episódios podem abalar seriamente estas estruturas.

Dra. Caroline Peter Scherer – Psiquiatra – CRM 25436
Publicado no Jornal NH – 21.05.2012 – Caderno Saúde – Página 7