Câncer de mama – testes genéticos

As mulheres têm um risco de cerca de 12% de desenvolver câncer de mama durante suas vidas. Apenas 5 a 10% de todos os casos de câncer de mama são atribuídos a mutações genéticas, o chamado câncer de mama hereditário. Então não é indicado solicitar o teste genético para todas as mulheres, é apenas recomendado para aquelas que, por exemplo, tenham dois ou mais familiares com câncer de mama antes dos 50 anos, familiar homem com câncer de mama, ou elas mesmas tenham tido câncer de mama, além de ser um exame de  alto custo. É importante saber o que fazer com o resultado do teste, a paciente tem que estar preparada para alguma medida de prevenção caso a resposta mostrasse mutação genética, senão só geraria um stress absurdo.

Há menos de dois meses, ouvimos tanto falar na decisão da atriz Angelina Jolie. É claro que, quando uma mulher conhecida mundialmente como ela faz uma revelação dessas, gera uma grande polêmica. Vejo de maneira positiva, porque sempre serve como alerta sobre a doença e busca de mais informações sobre prevenção.
Sua decisão foi certa ou errada? Considerando a alteração genética que ela apresenta, uma mutação no gene BRCA1, a decisão foi coerente, pois, afinal de contas, é a medida de maior impacto na prevenção nestes casos. É uma decisão que deve ser tomada pela paciente, em conjunto com o mastologista, com o apoio psicológico e familiar.

Precisamos esclarecer que não é um procedimento indicado para todas as mulheres e não é isento de riscos. É apenas indicado nas pacientes com mutação genética comprovada. É um procedimento de riscos, como qualquer outro procedimento cirúrgico, como, por exemplo, hemorragia e infecção, bem como a rejeição à protese. É importante citar o alto índice de insatisfação das pacientes, que chega a cerca de 30% em estudos com mulheres norte-americanas. Além disto, outras pesquisas relataram problemas psicológicos importantes, tais como queda da auto-estima e insatisfação na vida sexual.

A mastectomia profilática é um procedimento que já é feito há muitos anos, com resultados estéticos cada vez melhores, mas parece ter mais benefício em mulheres com menos de 50 anos, até porque essa alteração é responsável por tumores em mulheres mais jovens. A decisão vai depender de uma série de fatores, e vai levar em consideração se a paciente está com a prole completa e a estabilidade no casamento. As mulheres submetidas a tal procedimento não poderão amamentar e terão perda de sensibilidade, sendo uma das queixas, interferindo na satisfação na relação sexual.

Uma alternativa à mastectomia profilática é a chamada quimioprevenção, com uso de tamoxifeno (um hormônio), com uma redução de até 50% no risco.

A alteração no gene BRCA1 também apresenta risco para câncer de ovários. Portanto, o ideal é que estas pacientes também se submetam à retirada dos ovários, mas com isso entrarão em menopausa, podendo ter todos os sintomas de uma menopausa natural. Então, estamos falando que a melhor idade seria após ter a prole completa (ideal em torno dos 40 anos ou mesmo antes), e estamos dizendo que entrará em menopausa, ou seja, precisamos avisar que sua qualidade de vida será afetada em vários sentidos. Mas, estou certa que, para algumas pacientes, o risco e o medo justificam todas as conseqüências de tal decisão.

Precisamos nos informar sobre o assunto, mas para a população geral, que não apresenta um risco de hereditariedade, queremos mais uma vez chamar atenção e alertar para as medidas de detecção precoce, visto que, hoje em dia, podemos chegar a taxa de até 95% de cura se os tumores forem diagnosticados em estágio inicial.

Gabriela Santos
Médica Mastologista
CREMERS 24627