Cistite recorrente
A infecção do trato urinário é umas infecções mais comuns na raça humana e constitui um problema clínico muito importante no mundo todo, que seja pelas infecções comunitárias que respondem por 6% de todas as consultas clínicas realizadas em geral, quer seja pelas infecções urinárias de tratamento ambulatorial ou de tratamento hospitalar.
Relativamente são poucos microorganismos ou bactérias envolvidos nas infecções urinárias, e destes poucos, de longe a Escherichia Coli é o mais freqüente, respondendo por quase 80% de todas estas infecções.
Geralmente a infecção urinária esta representada pela cistite não complicada e sem envolvimento do trato urinário alto (rins) ou comprometimento do estado geral. As mulheres são, proporcionalmente, muito mais acometidas do problema, notadamente em função da anatomia da uretra feminina, custa e sujeita à exposição da flora vaginal feminina. Nas mulheres jovens, até os 50 anos, o fator mais importante envolvido na predisposição à cistite é a atividade sexual, vindo em segundo lugar a utilização de diafragma e agentes espermicidas, fatores que apresentam reais evidências de envolvimento. A cistite pode ter evolução para a cura espontânea em algumas semanas, mas seus sintomas muitas vezes exuberante, manifestada por intensa ardência para urinar, aumento da freqüência urinária, dor no baixo ventre e mesmo pequenos sangramentos no final da micção, motiva a consulta médica para seu tratamento. Em geral a evolução é muito boa, e o tratamento muito eficaz, posto que os agentes envolvidos, como já dito, sejam poucos e com um espectro de sensibilidade aos antibióticos com boa resposta ao tratamento.
Nas pacientes hígidas, o primeiro episódio de infecção urinária fica dispensada a urocultura para seu diagnóstico laboratorial. Mesmo quando corretamente tratadas, terão uma chance de recidivas em 25 % das mulheres tratadas. Esta informação deve ser compartilhada coma as pacientes, evitando outras interpretações se esse fato ocorrer.
Além da chance de recidiva, também existe a possibilidade, em 5% dos casos de a cistite se tornar recorrente, apresentando uma repetição de pelo menos 3 episódios ou mais no espaço de um ano. Quando este tipo de situação clínica se apresenta, há a necessidade de uma sistematização da abordagem clínica dessa paciente. A história clínica deve ser refeita minuciosamente no sentido de eliminar a possibilidade de algum fator específico que possa explicar como uma manifestação e não como uma doença isolada. Geralmente isto não é comum, a cistite recorrente é mesmo uma situação clínica isolada, restrita ao trato urinário baixo e relacionado com fenômenos próprios da paciente que predispõem a repetição de novas infecções urinárias com os mesmo agentes já citados. Existe a predisposição à aderência bacteriana e alguma ineficiência dos mecanismos imunológicos de defesa local. Após o exame clínico minucioso com especial atenção aos aspectos ginecológicos partimos para os exames laboratoriais com a identificação do germe e sua sensibilidade deve ser a regra. A utilização de exames mais sofisticados como a cistoscopia e exames de imagem normalmente não tem indicação. Quando muito uma ecografia pode ser útil no rastreamento de alguma outra patologia como cálculos urinários. O tratamento, normalmente com antibióticos deve ser acompanhado do aumento da ingestão de líquidos.
Dr. Raul Cassel
CRM 15.315