Compulsão por jogo

Os transtornos no controle do impulso englobam uma ampla gama de comportamentos excessivos, repetitivos e prejudiciais ao paciente, e por isso mesmo, merecem a devida atenção médica e o tratamento adequado. A ciência que tais distúrbios estão relacionados a falhas na atuação de neurotransmissores , anormalidades na Dopamina, Serotonina e Noradrenalina no córtex frontal que á a área do cérebro responsável pelo controle da impulsividade.

Apesar das consequências negativas que traz ao paciente, a ação compulsiva costuma ser seguida de prazer e alívio do estresse, o que se explica por uma disfunção dos circuitos neurais  envolvidos no processamento da recompensa e inibição comportamental. Para superar o problema é necessário procurar ajuda de um psicólogo e psiquiatra inclusive com o uso de medicamentos.

Além da diversão, apostar em jogo, seja legal, seja ilegal, como cassinos, bingos, loterias, turfe, máquinas caça níquel e outros podem se tornar um transtorno grave se não tratado devidamente.  É de conhecimento geral que o hábito de apostar pode levar pessoas a falência. Mas vale ressaltar que em muitos casos, não se trata meramente de um comportamento nocivo, mas uma doença psiquiátrica. O transtorno se assemelha a uma dependência química na sua expressão clínica, evolução da doença e tratamento.

Em termos de saúde pública, o chamado jogo patológico também é preocupante porque origina efeitos devastadores nas famílias dos pacientes. Sua prevalência não é pequena e estima-se que entre 1% a 3% da população sofram com o problema, sendo mais frequente em homens. O jogo como os demais vícios, é um sintoma que dentro da psique não está funcionando de forma harmônica. Somente identificar aquilo que não está ajustado dentro de si, o indivíduo pode encontrar o caminha para se libertar do ritual do jogo.  A própria pessoa costuma se dar conta que não tem capacidade de se controlar. Como consequência as perdas consideráveis de dinheiro, mudança nos hábitos e alteração nas reações familiares.

O tratamento do jogo patológico gira em torno da psicoterapia e de grupos de ajuda. Paralelamente pode ser necessário procurar auxílio médico.  Pesquisas recentes têm mostrado que o uso de medicamentos é capaz de trazer efeitos benéficos nestes casos.

Há alguns anos tornou-se público que o ator americano Charlie Sheen integra as estatísticas do jogo patológico. Sua ex-mulher chegou a afirmar que ele gastava mais de 200 mil dólares por semana em mesas de apostas.  Recentemente em uma entrevista, Sheen confirmou o fato, mas disse que já conseguiu se curar com tratamento adequado. Muitos casos desses temos ao nosso redor, mesmo que quantias muito menores, temos que identificar o problema e sugerir o tratamento pode fazer a diferença.

RAUL CASSEL
Médico e Vereador

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 08 de maio de 2017.