Consulte no lugar certo

É frequente o comentário de que os hospitais estão com cada vez mais dificuldade para dar conta dos atendimentos. Não importa se a consulta será pelo SUS, convênio ou particular, por vezes a espera pode ser de horas. Não há dúvidas que há falta de estrutura e organização, mas hoje vou abordar outra causa importante para isso, que é o desconhecimento da maioria das pessoas de qual é ambiente adequado a procurar quando há dúvida sobre sua saúde.

Quais são os “ambientes de atendimento”? Muito grosseiramente, na maioria dos casos podemos dividir em 2: a emergência e o consultório.

Vou definir “Emergência” como qualquer serviço de saúde de pronto-atendimento em que os pacientes serão atendidos de forma rápida (definimos “rápido” como com espera de até algumas horas) e terão a sua queixa avaliada de forma simplificada e grosseiramente resolutiva. O médico que trabalha nesse ambiente deve ter muito claro que seu objetivo, para todo paciente que chega, é definir o que há de errado com este, de forma genérica, e encaminhar a solução adequada.

Trabalhar em uma emergência significada ter uma demanda alta de consultas, não ter tempo e frequentemente recursos para uma investigação pormenorizada. O médico deve “resolver o problema”, o que significa ou administrar o tratamento necessário (muitas vezes meramente sintomático) ou, de posse de exames simples, encaminhar para internação ou investigação em consultório, conforme necessário. O foco é o que ocorreu no dia, o quê fez com que o paciente viesse para consulta. Queixas crônicas serão vistas simplificadamente na emergência, ou mesmo ignoradas. Ali não é o ambiente adequado para avalia-las.

Ao consultar com um médico na emergência, não se espera que peça exames de rotina, nem faça investigação para aquela dor no corpo que a assola por meses. Queixas que tem duração maior (por exemplo, mais de 2 semanas) e não mudaram não são vistas de forma adequada na emergência, e nem devem ser.

O consultório, por outro lado, é o local adequado para fazer avaliações de sintomas crônicos, acompanhamento de doenças e a revisão preventiva. O médico terá o tempo que achar necessário para avaliar o paciente com calma e decidir os exames necessários. Não há urgência, e a limitação para solicitar exames é muito menor. O consultório costuma ser frequentemente o destino de encaminhamentos da emergência, quando o problema não necessita de resolução imediada e/ou precisa de melhor análise.

Os governos estão se dando conta destas diferenças, e começaram a tentar orientar as pessoas. Grosseiramente, deve-se procurar a emergência se há:
•    Dor no peito
•    Falta de ar
•    Traumas, em especial de alta energia
•    Sangramentos (vômitos, perdas nas fezes, genitais, respiratórios)
•    Perda da visão ou audição de início rápido ou súbito
•    Alterações da consciência, como confusão, desmaios
•    Febre, em especial acima de 38,5°C
•    Dor intensa no abdome
•    Aparecimento de fraqueza nos membros
•    Exacerbação de doença pré-existente

Pedro Guilherme Schneider
Medicina Interna / Reumatologia
CREMERS 28572