Cuidado com os substitutos do leite materno
Um tópico que muito tem se discutido é a importância da alimentação nos primeiros 1000 dias de vida da criança, que compreende a concepção até o segundo ano de vida. A Organização Mundial de Saúde, juntamente com as sociedades médicas, enfatiza a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de idade (preferencialmente), com uma adequada introdução dos alimentos, orientada por profissionais de saúde. Uma vez não disponível ou contraindicado por algumas situações clínicas, há indicação de fórmulas infantis que suprem as necessidades calóricas e de micronutrientes, garantindo um adequado ganho de peso e desenvolvimento neurológico e psicomotor.
 Convém enfatizar, que o bebê tem um crescimento rápido nos primeiros meses de vida, triplicando seu peso de nascimento no final do primeiro ano. Nos primeiro seis meses de idade ganham cerca de 20 – 30 gramas por dia. O crescimento cerebral é fundamental nessa fase, onde é indiscutível a presença de micronutrientes como ferro, DHA e ARA, entre outros. Aprendem cerca de 300 palavras até o terceiro ano de vida. Atualmente, está contraindicado o uso de leite de vaca integral ou qualquer outra bebida de soja, arroz, ou outra como substituto do leite materno ou de fórmulas infantis. Essas bebidas, não possuem a densidade calórica e micronutrientes necessários para serem utilizados como única fonte nutricional para o bebê.
É importante lembrar, que há inúmeras fórmulas infantis no mercado, cada qual com suas características, que contemplam tanto bebês saudáveis quanto aqueles que possuem alguma patologia, como alergias alimentares ou doenças metabólicas. É papel do Pediatra a escolha da fórmula mais adequada para cada paciente, acompanhando seu desenvolvimento integral.
Cabe a nós zelar por nossas crianças, oferecendo uma alimentação adequada, carinho e suporte psicossocial.  Dessa forma, teremos adultos com melhores condições saúde, famílias mais felizes e trabalhadores melhor preparados. Qualquer que seja a filosofia de vida, deve-se lembrar que essa não pode interferir na integridade física e emocional do outro, principalmente no que se refere a uma criança, que não tem o poder da escolha.
Dra. Juliana Cristina Eloi
Gastroenterologia Pediátrica –  CRM 024705
Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 25 de julho de 2016.