Curiosidade sobre terapia hormonal para tratar menopausa

Observou-se num estudo realizado na Alemanha com 2500  ginecologistas e concluído em 2010 que AS ginecologistas usavam mais terapia hormonal para si mesmas e OS ginecologistas igualmente indicavam essa terapia mais às suas esposas que PRESCREVIAM para as suas pacientes.

Estudos realizados cerca de 10 anos atrás nos Estados Unidos tinham mostrado que terapia hormonal na menopausa aumentava a incidência de coágulos no sangue, infartos no miocárdio, acidentes vásculo-cerebrais  e câncer de mama. Tais estudos foram amplamente alardeados na mídia em todos os países ocidentais e a queda do uso destes tratamentos foi vertiginosa. os governos de muitos países, representados por seus ministérios da
Saúde, corroboraram neste desestímulo ao uso de hormônios, pois o não uso destes barateia a saúde uma vez que menos exames de controle são necessários.

Quais seriam as razões para ginecologistas prescreverem menos terapia hormonal para suas pacientes do que para elas mesmas e eles para as suas esposas? A hipótese principal para explicar esse fato é que nesses últimos dez anos MUITOS OUTROS estudos foram realizados e constataram-se falhas nos estudos iniciais, além do que atualmente as doses utilizadas são menores e o início da terapia é mais precoce. Então OS e AS ginecologistas que se atualizaram e convenceram-se que há sim, muitas vezes, vantagens com a terapia hormonal na menopausa, aumentaram o uso da mesma no seu uso restrito. Já a imprensa muito timidamente publicou essas mudanças de posicionamento científico frente à essa terapia, pois o que “vende” mesmo é o sensacionalismo e não o cientificismo.

Mas então por quê não aumentaram nos últimos dez anos as prescrições também desta terapia para as pacientes? A explicação para este fato é que leva muito tempo para se mudar a mentalidade e concepções consequentes ainda das noticias de dez anos atrás contra os hormônios… Além do que se precisa mais tempo nas consultas para explicar as mudanças nos estudos de medicina e para convencer as pacientes; é também necessário que a paciente tenha noções de riscos estatísticos e necessidade de mais controles médicos o que nem sempre é factível. Não se pode esquecer os litígios judiciais que podem ocorrer nos infortúnios e que desestimulam o uso de terapias médicas que cursam pela mídia e mentes populares com controvérsias.

Estimadas leitoras e leitores, pensem sobre o assunto e BOA SEMANA.

Dra. Carmem Helena Snel – CRM 13824 
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO – Genitoscopia (colposcopia)
Especialização em Geriatria pela ULBRA
Especialista em Acupuntura médica pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura
Publicado no Jornal NH – 13 a 19 de agosto de 2012