Dá para prevenir o Alzheimer?
Na medida que a expectativa de vida aumenta e temos grandes populações que avançam os 80 anos, esta doença aumenta consideravelmente. A grande questão é como detecta-la precocemente, pois quando instalada, pouco se pode fazer, a não ser retardar sua evolução. O tema foi apresentado pelo cientista brasileiro Dr. André Palmini, no evento organizado pelo IMNH, em Novo Hamburgo.

Sabemos que 10 a 15 anos antes da doença se manifestar, ela  pode  dar sinais, que chamamos bioindicadores e também alterações no funcionamento do cérebro, com alterações cognitivas (compreensão e tomada de decisões erradas) e problemas de memória. Hoje o esforço da ciência é começar a tratar o Alzheimer, antes que se manifeste como tal, visto que as lesões cerebrais, começam muito antes.

A principal queixa é a perda de memória. A idade, na medida que envelhecemos, faz com que sejamos mais lentos, mas não perdemos a memória. É uma doença que  vai “destruindo” os neurônios  na região do hipocampo, area responsável pela memória.

Apesar de todo investimento, ainda não surgiu uma droga eficaz . A indústria farmacêutica,  já investiu até 2013, 126 bilhões de dolares, sem nenhum retorno ou desenvolvimento de uma nova droga. Calcula-se que talvez, o dobro deste valor, seja investido, até surgir um tratamento eficaz.

Quais suas causas e o que podemos fazer para prevenir? Está é a questão que mobiliza um número grande de pesquisadores. Pode ser hereditária e geralmente manifesta-se após os 65 anos, existindo predominância em determinadas familias. Também pode estar associada a fatores de risco, que vão do estilo de vida, até doenças que podem levar ao Alzheimer. Doenças e alterações clínicas como as dislipidemias, diabete, HAS, uso de drogas que afetam a memória, depressão quando não tratada adequadamente, são muito comuns em pessoas que já tem Alzheimer, talvez um caminho para prevenção.

Enquanto não surgem, novas drogas para seu tratamento, o que podemos fazer? Primeiramente tentar achar os sinais  precoces da doença, depois a prevenção. Alimentação com frutas e verduras pelo menos 2 x ao dia, atividade física regular, pelo menos ½ hora dia sim/dia não, controle de doenças clínicas, que levam sofrimento ao cérebro, principalmente cardiovasculares e depressão. Doença que ainda hoje, não recebe à devida atenção dos governantes, somente a poucos anos, devido insistência da classe médica , começou a se fornecer fluoxetina nos postos de saúde e conseguiu-se uma maior aderência aos tratamentos.

Quanto mais precoce for detectado, é possivel retardar seu aparecimento em até 5 anos, para o conhecimento atual. Isto representa que milhões de pessoas podem, ter mais um tempo de qualidade de vida, para si e para seus familiares.

Ainda estamos atrasados e talvez demore muitos anos para descobrir-se o tratamento eficaz, então só nos resta agir na prevenção. Como é uma doença que dá sinais no minimo 10 anos antes de se instalar, cuide bem do seu cérebro e de sua memória. Qualidade de vida, manter-se ativo fisica e mentalmente, podem ajudar a retardar seu aparecimento.

Dr. Andres Kieling
Psiquiatra- CREMERS 15169