Da tristeza ao desespero

Quando falamos de tristeza, geralmente associamos a depressão, mas a doença não é só isto. Quando falamos da doença depressão, é importante destacar que vai além de uma tristeza. Tristeza é o contrário de alegria, como o doce é o contrario do amargo. A doença é algo mais que tristeza!

A Depressão é uma doença que se caracteriza por paralisar a vida da pessoa. Tira a energia e leva a incapacidade para realizar tarefas simples do cotidiano. Deixa-se de cuidar da saúde, perde-se a autoestima, não se consegue trabalhar, relacionar com outras pessoas, estudar, até mesmo o que dá prazer, torna-se difícil. Enfim, a sensação é de que paramos de viver, que falta energia, “folego”.

É uma doença com múltiplos fatores, mas com características genéticas, desencadeado por fatores estressores da vida, principalmente, por perdas. É causada por uma inflamação dos neurônios, que leva aos principais sintomas e, em especial a paralisia de viver, sem uma explicação compatível. Quando dizemos ser uma doença orgânica, refere-se a uma alteração na neurotransmissão, que na maioria das vezes precisa ser corrigida com medicação e psicoterapia, com o intuito de apreender a lidar com os fatores extenuantes da vida. Tem um caráter duradouro, não melhora com o passar do tempo, característica da reação dos sinônimos de prostração, exaustão, estafa, esgotamento….Com o passar do tempo pode  agravar, levando ao Desespero .

Desespero é o sentimento mais profundo e insuportável de lidar com a dor. É quando entramos num estado de desesperança e parece que a única situação, que vai fazer desaparecer, é a morte. Dai começa a ideação suicida, vontade de morrer, o segundo passo é tentar e, o terceiro é executar. Depressão é uma doença grave, que na maioria das vezes não tem cura, contudo tem controle, como a diabetes, hipertensão e outras doenças. Exige tratamento constante e qualidade de vida, com bom sono, alimentação, atividade física regular, uma vez que na fase aguda da doença, torna-se dificultoso, complexo, delicado.

Estamos no Setembro Amarelo, mês da campanha de Prevenção ao Suicídio –  e o desespero é a principal causa, juntamente com a desesperança. Viver implica em sofrer na hora e dose certa, sem perder a capacidade de ser autossuficiente, sentir menos sofrimento, a fim de que se possa “curtir” as situações boas da vida. Não se trata a vontade de morrer, mas sim a vontade de viver, pois única certeza que carregamos na via, “é que um dia vamos morrer”. Destarte, é preciso ficar atento à depressão!  Encerro  exclamando Albert Einstein – Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.

Dr. Andres Kieling
Médico Psiquiatra
CREMERS 15169

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde, Segunda-feira, 18 de setembro de 2017.