Dependência e uso abusivo da tecnologia eletrônica e virtual
A dependência de internet é o termo mais proposto para designar a inabilidade do indivíduo em controlar o uso da internet, bem como o crescente envolvimento com as atividades virtuais, levando a um progressivo desconforto emocional e significativos prejuízos funcionais de jovens e adultos.
Os pais ou responsáveis por adolescentes relatam com frequência a influencia do uso excessivo da internet em seus filhos, bem como os déficits de comportamento manifestados em suas rotinas, refletindo na área familiar, academia/profissional, social e na saúde física. Acrescentam-se dificuldades na labilidade de humor, comportamento depressivo, solidão e reações emocionais impulsivas, quando são restringidos no uso da rede mundial. Os prejuízos físicos relatados se estendem a problemas de visão, privações de sono, fadiga, problemas com alimentações e desconforto musculoesquelético.
Na tentativa de oferecer ajuda, os cuidadores geralmente adotam recursos aversivos, visando a cessação imediata do comportamento abusivo. O adolescente, em contato com atividades e emoções prazerosas advindas da internet e frente ao controle dos pais, fogem e/ou esquiva-se, criando paulatinamente um ciclo desadaptativo de convivência familiar.
O autor Young KS. propõe que cinco ou mais dos critérios diagnósticos caracterizam a dependência de internet: preocupação excessiva com internet, necessidade de aumentar o tempo conectado (on-line) para ter a mesma satisfação, exibir esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da internet, presença de irritabilidade e/ou depressão, quando o uso da internet é restringido, apresenta labilidade emocional (Internet como forma de regulação), permanecer mais conectado (on-line) do que o programado, trabalho e relações sociais em risco pelo uso excessivo, mentir aos outros a respeito da quantidade de horas on-line.
A maior parte dos casos de dependência da internet apresenta uma comorbidade associada em sua maioria a quadros afetivos e ansiosos. Dessa forma, os tratamentos propostos visam a melhora dos sintomas primários. Sugerindo terapia de apoio, de aconselhamento, terapia familiar, entrevista motivacional e psicoterapia cognitivo – comportamental.
Dr. Ricardo Fasolo
Psiquiatra da Infância e Adolescência –  Cremers 32657
Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 04 de julho de 2016.