Deseperança

Estamos iniciando o SETEMBRO AMARELO, campanha de prevenção do suicídio, que iniciou em 2014, estimulada pelo OMS e no Brasil organizado pela Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Brasileira de Psiquiatria e Centro Valorização da Vida (CVV-188), com intuito a diminuir os números dessa tragédia que abate as pessoas e as famílias.

A questão é tentar entender e prevenir. “O que leva uma pessoa a não querer viver”!? Optar por interromper a vida, de forma voluntaria e prematura!? Nestes anos como psiquiatra, duas palavras podem resumir minha escuta: DESESPERO E DESESPERANÇA. Desespero é o sofrimento intenso, que retira as forças para sonhar, planejar, viver o presente e desejar o futuro, – associado a doenças psíquicas e também físicas. Doenças como Depressão, Pânico, Psicoses e físicas, por exemplo, dor e terminais como Câncer, AVCs e outras.

A Desesperança paralisa, é a incapacidade de pensar! Pensar que o sofrimento vai passar que pode suportar que é capaz de atravessar. A desesperança é o contrário do verbo esperançar. Esse é o principal sentimento que invade e avassala crianças, jovens, também adultos, especialmente, em época de crise econômica, social e humanitária. No Brasil o reflexo da grave crise que atravessa em todos os campos: do econômico, do social, da violência… Esse último campo banalizado. Ainda, com efeito, a gestão política, entre outras. Nosso stress se for medido, aproxima-se do povo Sírio que está em guerra civil. Estamos perdendo a Esperança num mundo melhor, mais justo e que justamente ESSE MUNDO MELHOR, serviria de cura, de afago, de esperança para o nosso sofrimento.

Quando se esta em sofrimento e chega-se ao extremo do desespero, quando a dor emocional ou física fica insuportável, precisamos falar, crer! Crer que alguém vai nos acolher abraçar e estar ao nosso lado, nos aceitando. O pensamento suicida começa com o sofrimento, que quando chega ao desespero sente, acredita que é um peso para família, amigos, para a sociedade, entra em estado de Desesperança e começa a planejar o fechamento da existência.

Para diminuir as estatísticas e não apenas ficar olhando a vida passar, para não sermos espectros, expectadores, leitores de dados estatísticos, precisamos nos envolver nesta causa, falar sobre, resgatar a esperança. Levar a esperança! Tratar a doença! Terapia! Família! Grupo! Respirar! Amor! Porque há saída sim! Encerro a escrita, intertextualizando na letra da música “Enquanto houver sol – dos Titãs”.

Dr. Andres Kieling
Médico Psiquiatra
CREMERS 15169

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde, Segunda-feira, 04 de Setembro de 2017.