O que é Epilepsia? Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia, é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Se ficarem restritos, a crise será chamada de PARCIAL ; se envolverem os dois hemisférios cerebrais, GENERALIZADA. Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância se a crise for menos aparente.

Quais as causas das convulsões? Apresentam uma grande variedade de etiologias, sendo, na maioria das vezes, multifatoriais. Depende do tipo de Síndrome Epiléptica, idade, tipos de crises, presença ou não de atraso mental, doenças associadas, abuso de álcool, tumores, traumas na cabeça, entre outras…

As Crises –  Se a crise durar menos de 5 minutos e quem estiver presenciando souber que o paciente é epiléptico, não é necessário chamar um médico. Acomode-a, afrouxe suas roupas (gravatas, botões apertados), coloque um travesseiro sob sua cabeça e espere o episódio passar. Mulheres grávidas e diabéticos merecem maiores cuidados. Depois da crise, lembre-se que a pessoa pode ficar confusa: acalme-a ou leve-a para casa, caso não esteja nela.

Investigação e Diagnóstico – Foi mesmo uma crise convulsiva? Quais as características dessa crise? Alguém presenciou? Estas são perguntas fundamentais para o Neurologista dar início a uma investigação detalhada, assim como, conversar com familiares que viram a crise e orientá-los a usar a câmera do celular, caso haja repetição. Se o paciente não se lembrou das crises, a pessoa que as presenciou torna-se uma testemunha útil na investigação do tipo de crise em questão e , conseqüentemente, na busca do tratamento adequado.

Exames de neuroimagem de qualidade como ELETROENCEFALOGRAMA e RESSONÂNCIA DO ENCÉFALO, são ferramentas que auxiliam no diagnóstico.

Alguns diagnósticos diferenciais que causam confusão com uma crise convulsiva – Desmaio, Ataque Isquêmico Transitório, alguns tiques, Amnésia Global Transitória, tontura e vertigem, enxaqueca, doenças psiquiátricas que cursam com alucinações e crises de pânico, distúrbios do sono e estados confusionais, principalmente em idosos.

Prognóstico e tratamento –  Depende muito da etiologia e tipo de Síndrome Epilética a qual o médico vai fazer o diagnóstico.

Cerca de 60% dos pacientes ficam livres das crises quando usam um ou dois esquemas de medicações antiepilépticas.

Aproximadamente 20% dos pacientes apresentam controle razoável das crises, porém, necessitam de doses mais altas das medicações.

Outros 20% apresentam crises refratárias aos medicamentos, sendo candidatos ao tratamento cirúrgico ou outras alternativas como dieta cetogênica e neuroestimuladores…

A decisão de iniciar o tratamento da Epilepsia deve ser INDIVIDUALIZADO. Doença neurológica prévia, deficiência cognitiva, Eletroencefalograma com atividade epileptiforme, alteração significativa na neuroimagem e crise noturna são alguns dos principais fatores de recorrência das Crises Convulsivas.

Dr. Roberto J. Gallo
Neurologia – Epilepsia
CREMERS 26405

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 7 de julho de 2017.