Deve a maconha ser legalizada no Brasil?

Será que a maconha é inofensiva para a saúde? O que a ciência séria fala? A substância mais usada na marijuana ou maconha é o THC – tetrahidrocarnabinol. Muitos componentes da maconha são encontrados no tabaco, mas o THC é característico dela. O conteúdo do THC na planta varia muito dependendo da maconha. Um laboratório pode trabalhar com uma qualidade bem menos tóxica dela, que pode ser muito diferente da que é usada em várias partes do mundo. Assim alguns cientistas pronunciam que a marijuana é inocente, enquanto que outros em outras partes do mundo tendo acesso aos cultivos potentes encontram efeitos no corpo que são realmente perigosos.

Estudos tem demonstrado que o THC da maconha passa dos pulmões através do sangue para o cérebro. Enzimas no cérebro não podem quebrar o THC como conseguem mais rápida e completamente com a nicotina do cigarro comum. Assim os efeitos agudos da marijuana são de muito mais longo tempo do que os da nicotina. Algum THC pode permanecer uma semana inteira no corpo.

Os fumadores de maconha geralmente inalam com muito mais força e profundamente para tentar conseguir mai THC. Isto pode lesar mais devido ao monóxido de carbono e alcatrão absorvidos mais do que no cigarro comum. A Associação Britânica de Câncer relata que o alcatrão de cigarros de maconha contém 50% mais concentrações de carcinógenos como o benzopireto e o benzatraceno do que o cigarro comum. A média de cigarro de maconha fumados em 1960 continhas 10 MG de THC. Hoje em dia eles podem ter cerca de 150 MG.

A maconha interfere nas ondas cerebrais normais e deprime a atividade elétrica do córtex frontal, que é o lugar principal do caráter e poder moral das pessoas. A memória recente fica prejudicada com o uso modesto de maconha. Ela reduz a motivação, a cognição (raciocínio), o aprendizado e a habilidade para se concentrar.

Ë verdade que pequenas doses de marijuana fraca produz inicialmente leve euforia, depois sensação de paz. Pesquisadores, entretanto verificaram que quando deram maconha a animais de laboratório que estavam muito estressados eles começaram a se automutilar, como comer sua pata. Isto tende a sugerir algo parecido seria ligado as tentativas de suicídio em usuários de maconha. Já que estes animais normalmente não se auto mutilam, eles agiram assim por ação da droga.

A Fundação Nacional de Ciências da Suíça num estudo com 9268 adolescentes suíços verificou que ¼ deles foram classificados como usuários no presente ou no passado, de maconha, e que houve uma maior prevalência de comportamentos anitisociais, acidentes, tentativa de suicídio nos usuários da droga comparados com os não usuários.

Um estudo na Austrália envolveu 311 pares de gêmeos idênticos e não idênticos do mesmo sexo. Os que tinham usado maconha aos 17 anos de idade foram 2 a 5 vezes mais propensos a uso de drogas adicionais, dependência de álcool e abuso de drogas do que os que não usaram maconha na mesma idade. Os pesquisadores controlaram outros fatores de risco neste estudo, tais como início cedo do consumo de álcool e tabaco, conflitos familiares, separação dos pais, abuso sexual, depressão e ansiedade. Portanto sugere o estudo que o mesmo ambiente e o uso da maconha como causas principais das alterações comportamentais.

O THC pode inibir o sistema imune no cérebro de maneira que pode ocorrer encefalite. O THC também atua na supressão de células importantes para a defesa do corpo e que conferem imunidade humana.

Este texto foi extraído da revista do Sindicato dos Médicos do RS e permite de forma científica que possamos gerar um senso crítico e uma opinião mais embasada quando o assunto é a liberação da maconha no Brasil.

Dr. Raul Cassel
Médico e vereador

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde, Segunda-feira, 11 de Setembro de 2017.