Diabete mélito – história

Há vestígios dos sintomas da diabetes desde a era Egípcia há mais de 4 mil anos. Registrou descobertas em papiros que mostravam que os egípcios já reconheciam as características da doença, mas não chegaram a nomeá-la. Os hebreus já dominavam algumas práticas endócrinas e alguns estudiosos afirmam haver na época conhecimento do diabetes gestacional, pela permissão do aborto quando a gravidez representava algum risco à mãe.  No século IV a.C descobriu-se na Índia que a urina de algumas pessoas possuía sabor adocicado. Por volta do ano 70 d.C. o grego Areteu, da região da Capadócia conseguiu identificar os 4 principais sintomas do diabetes: poliúria 9 muita urina), polifagia (muita fome), polidipsia (muita sede) e poliastenia (muita fraqueza). Por conta destes sintomas Areteu nomeou a doença como se chama até hoje, por associação ao comportamento de um sifão (em relação à poliúria).

Em 1670, o médico inglês Thomas Willis descobriu o sabor adocicado da urina dos diabéticos e reneomeou a patologia como diabetes mellitus. Apalavra mellitus vem do latim e significa mel. Em 1775 Johann Peter Franck classificou o diabetes em dois tipos: mellitus e insipitus, sendo o último sem urina doce. Contudo o motivo do sabor, diferente só foi descoberto quase dois séculos depois em 1815 pelo alemão M. Chevreul, que apontou o açúcar presente na urina era glicose.

A partir daí iniciou-se uma busca científica pela substancia produzida pelo organismo que controlava os níveis de glicose no sangue dos pacientes diabéticos. Em 1889 os cientistas alemães Von Maring e Mikowoski descobriram que tal substância na verdade era um hormônio, a insulina. Que era produzida pelo pâncreas, mas não chegaram aprofundar mais sua pesquisa. A descoberta foi feita graças à experiência feitas com cães. Somente em 1921 Frederic Banting e Charles Best finalmente descobriram a insulina, após testes em cães diabéticos. No ano seguinte a insulina começou a ser utilizada em tratamentos de pacientes humanos, o que representou um dos maiores avanços da medicina no século XX, sinal desta importância foi o dia mundial do diabetes na data do aniversário de Banting, em 14 de novembro.

No Brasil a sociedade Brasileira de endocrinologia foi fundada em 1950 para consolidação da especialidade, numa reunião com troca de informações entre médicos. A criação da Sociedade contribuiu para estabelecer um padrão de qualidade de profissionais na área e também com a possibilidade de ser um referencial para clínicos, pediatras, outros especialistas e especialmente para os acadêmicos de Medicina.

Os avanços na busca de melhores tratamentos continuavam a parecer. Em 1955, foi desenvolvido o primeiro medicamento oral para o diabetes e em 1966 foi realizado no Canadá o primeiro transplante de pâncreas com a finalidade de tratar o diabete do tipo I. Com o passar do tempo a diabetologia ganhou seu espaço passando a ser utilizada de forma preventiva até os dias de hoje quando diversos programas estão na rede pública buscando a prevenção, a orientação, o controle, a distribuição de medicamentos e a capacitação dos profissionais médicos e da enfermagem.

Dr. Raul Cassel
CRM 15.315