Diagnóstico de câncer pélvico e a ecografia
Semanas atrás ocorreu um conclave médico, onde foi abordado o papel da ecografia pélvica transvaginal ou pélvica, propriamente ditas, no diagnóstico precoce do câncer de ovário e do câncer do endométrio ( revestimento interno do útero ).

Diversos palestrantes confirmaram o que já se lia em estudos publicados em algumas revistas: a rotina de se pedir ecografia transvaginal ou pélvica anualmente em mulheres assintomáticas  de baixo risco  na peri-menopausa ou na pós-menopausa NÃO mudou as estatísticas de mortalidade por essas patologias.

Confesso que o assunto me parece muito complicado e demais complexo. Aprendemos na Residência Médica e em cursos subsequentes regras diferentes  dessas e as  pacientes também  estão acostumadas com exames solicitados  mais frequentemente. Também   pode ocorrer  que uma paciente, dentro da chance estatística real da sua faixa etária, seja surpreendida subitamente por um câncer de ovário ou de endométrio poucos meses depois da sua consulta de rotina ginecológica  e seu primeiro questionamento será :  ”  e se o meu ginecologista tivesse pedido essa ecografia na última consulta  eu  teria um tratamento mais precoce e maior chance de sobreviver ao câncer pélvico ? “.  Inclusive passa ocasionalmente na rede virtual um email com esse chamamento…

No Canadá e muitos outros países onde a medicina é socializada, os pacientes nem podem questionar muito os médicos, eles, os pacientes são descontados nos impostos para pagar a assistência médica e precisam obedecer ao governo que dita aos médicos e exige dos médicos o seguimento fiel aos ditames da tal ” medicina baseada em evidências.”  Agora no Brasil, nos nossos consultórios, geralmente as pacientes pagam seus  planos de saúde…. e  quando estão pelo SUS  nem  têm onde questionar…..

O assunto é muito complexo a nível da relação médico-paciente; muito mais fácil sem dúvida é ” fazer estatísticas”  sobre o assunto do que vivê-las na prática. Sempre procuro estar bem atualizada  e receptiva às mudanças nos protocolos médicos modernos, mas confesso que há mudanças muito chocantes para todos, médicos e pacientes. Eu pessoalmente procuro seguir a lei do ” meio termo, do bom senso”, ou seja, avaliar cada paciente individualmente com todos os fatores de risco maiores e menores que apresenta, mas também estar sensível às necessidades emocionais e medos da paciente, além de sempre repassar  para as pacientes essas ”  modernidades estatísticas ” que começaram a ditar regras para nós médicos e pacientes.

Dra. Carmem Helena Snel- CRM 13284
Especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO- Genitoscopia (colposcopia ).
Especialização em Geriatria pela Ulbra.
Especialização em Acupuntura Médica pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura