Dor de cabeça em questão
Cefaleia é o termo técnico para dor de cabeça, um motivo frequente de busca de auxílio médico, tanto ambulatorial como de urgência. As cefaleias podem ser primárias ou secundárias. As cefaleias primárias, como a enxaqueca, a cefaleia do tipo tensional e a cefaleia em salvas, são doenças cuja principal manifestação é a dor de cabeça, que pode ocorrer em crises ou de forma contínua. As cefaleias secundárias, por sua vez, são aquelas causadas por alguma outra doença do sistema nervoso ou de outra parte do organismo, a qual pode ser mais ou menos grave, como um tumor cerebral ou sinusite, respectivamente.
As crises de enxaqueca e de outras cefaleias primárias podem comprometer a qualidade de vida dos indivíduos, principalmente quando intensas ou frequentes.
Enxaqueca
A enxaqueca, ou migrânea, é uma doença crônica hereditária que atinge 15,2% dos adultos no país, havendo mais de duas mulheres para cada homem afetado. Suas crises, que podem durar até três dias, são caracterizadas na maioria das vezes por dor de intensidade moderada a forte, latejante e concentrada em um dos lados da cabeça, geralmente acompanhada por intolerância à luz e aos ruídos, bem como náusea e até mesmo vômitos. Hoje acredita-se que esses sintomas estejam relacionados à sensibilização de terminações nervosas sensitivas que inervam estruturas cranianas, além da incapacidade temporária do cérebro para “filtrar” estímulos sensoriais indesejados. Apesar de frequentemente descritos como causadores da enxaqueca, fatores como períodos de estresse, jejum prolongado, excesso ou falta de sono, exposição à luz ou a sons intensos e flutuação hormonal são apenas os seus gatilhos, podendo ou não ser significativos em cada caso.
Cefaleia do tipo tensional
A cefaleia do tipo tensional é considerada a forma mais comum de dor de cabeça, porém na maioria dos casos não traz maior prejuízo à qualidade de vida, por ser geralmente ocasional e de intensidade leve. Apesar de tradicionalmente atribuída à contração dos músculos do pescoço e do couro cabeludo, essa relação nunca foi cientificamente confirmada. Atualmente, a cefaleia do tipo tensional é atribuída a um transtorno dos circuitos cerebrais envolvidos na modulação das sensações de dor da região da cabeça, que pode ser mais ou menos intenso e, algumas vezes, crônico. Fatores como a ansiedade e o estresse emocional podem piorar essa situação, enquanto que a prática de exercícios aeróbicos tem se mostrado uma forma eficiente de prevenção e até mesmo de tratamento das crises desta cefaleia primária, provavelmente pela liberação de substâncias analgésicas produzidas pelo próprio organismo, as endorfinas. Ao contrário da enxaqueca, a cefaleia do tipo tensional é geralmente de intensidade leve a moderada, atinge os dois lados da cabeça ao mesmo tempo, não é latejante e não piora com a atividade física, além de não ser acompanhada por náuseas e intolerância à luz e aos ruídos.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é baseado na obtenção da história clínica e na realização do exame físico e neurológico, sendo, em alguns casos, necessário realizar exames complementares para afastar doenças graves como causa da cefaleia. No Centro de Cefaleia do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, além de todos os serviços de apoio diagnóstico, o paciente conta com especialistas capacitados para estabelecer o diagnóstico da cefaleia, informar sobre o tipo de cefaleia presente e prescrever o tratamento medicamentoso das crises, além da sua prevenção, quando necessária. Além dos medicamentos, o tratamento eventualmente pode incluir bloqueios anestésicos, aplicação de toxina botulínica, orientação da atividade física, psicoterapia, acupuntura e fisioterapia, em casos selecionados.
Fonte: Hospital Moinhos de Vento