Faltam Médicos Especialistas
No setor público a falta é gravíssima em algumas cidades e Estados, no setor privado (planos de saúde), começa a faltar algumas especialidades como pediatria, medicina interna e gineco e obstetrícia, que não atraem mais os recém formados.

Quais as diferenças entre o setor público e privado? Na minha opinião, as leis  são feitas em Brasília, são brandas com o público e rígidas com os planos de saúde, como deve ser. A Lei do Consumidor (PROCOM) exige que as consultas com especialistas seja no máximo em 15 dias, para o público não existe LEI. Enquanto estiver vivo, fica na fila de espera, que às vezes demora 3 , 4, 5 anos. Se morrer alivia a fila.

Um médico, segundo o MEC, tem que cumprir 9675 horas de aula, em 6 anos(mínimo), odontologia 4920, fisioterapia 4530, enfermagem 3570 e outros. Além disto, para se tornar especialista são mais 3000 mil horas ano, no mínimo são 3 anos (mais 9000 h), algumas especialidades são mais 6 anos. No mínimo terá estudado 18675 horas para ter um titulo de especialista reconhecido pelo CREMERS (MEC). O reconhecimento do setor público, entre quem tem titulo e quem é apenas formado em medicina, em nossa cidade(FSNH), é um abono de R$500 reais. Este é o estimulo para quem investe no seu aperfeiçoamento.

O Brasil é o 2º país no mundo em faculdades de medicina (194), com o objetivo de aumentar a oferta de mão de obra? Não, pois o critério para abertura é feito pelo MEC (Brasília), beneficiando historicamente aqueles que apoiam o governo federal, como deputados e senadores. Esqueceram ou não quiseram aumentar as vagas para as especialidades. Para cada 10 médicos que se formam, só 4 conseguem vaga para especialidade. Privilegiam a quantidade e não a qualidade.

A falta de especialistas para a população carente, obriga a pagar particular. Juntam dinheiro entre familiares, realizam meio frango, rifas e outras formas de arrecadar dinheiro. Estas pessoas correspondem a uma parcela expressiva nos consultórios particulares, visto que a classe média tem seus planos de saúde. As entidades médicas encaminham sugestões para resolver este drama da população carente, mas não encontram ouvidos nas elites políticas.

Dr. Andres Kieling – CREMERS 15169