Fibromialgia – Uma companheira desagradável
Dores no corpo, sensação constante de cansaço, dor de cabeça, sensibilidade em qualquer parte do corpo que dificulta até mesmo aquele abraço gostoso num amigo ou familiar, noites mal dormidas e o início da manhã com energia de fim do dia. Talvez você não tenha esses sintomas, mas certamente conhece alguém que já se queixou deles. Muitas vezes, o diagnóstico feito é de fibromialgia.
Mas o que é fibromialgia?
Fibromialgia é um distúrbio caracterizado por percepção de dor em todo o corpo (podendo variar os locais e intensidade ao longo do tempo), acompanhada, frequentemente, de sono de má qualidade ou não restaurador (ou seja, a pessoa acorda cansada pela manhã), de depressão, além de outros sintomas como dificuldades de memória, alterações intestinais, entre outros. É um problema muito mais comum em mulheres e pode aparecer em qualquer idade. Caracteristicamente, os pacientes costumam migrar por vários médicos, e não é incomum que cheguem ao consultório trazendo um pequeno livro de exames de todos os tipos, habitualmente com resultado normal, inconclusivo ou com alterações que não explicam os sintomas.

Um fator importante para o diagnóstico é justamente a ausência de outras doenças. Embora as queixas sejam muitas vezes bastante sugestivas, a correta avaliação exige uma história e exame físico de boa qualidade, complementados por exames simples. Não havendo sinal de qualquer outra doença, pode-se então firmar o diagnóstico. Essa parte é muito importante, porque não é raro os pacientes receberem apressadamente o diagnóstico, tirando-lhes a oportunidade de detectar outro problema, às vezes de tratamento muito mais simples.
 
O tratamento é complexo. Existem uma gama de medicações estudadas, em geral com efeitos modestos. É comum o tratamento ser interrompido ou mudado por conta da percepção dos pacientes de efeitos adversos das medicações.
 
Existem, porém, algumas dicas muito importantes sobre como tratar e encarar a fibromialgia. Antes de mais nada, o objetivo do médico, ao contrário do senso comum, não deve ser eliminar completamente a dor, e sim ajudar o paciente a tolerá-la melhor. A experiência mostra que a tentativa exagerada, com uso de muitas medicações, acaba por apenas somar efeitos adversos à dor do paciente, tornando o tratamento frustrante. Jamais devemos nos esquecer da importância da atividade física regular, um dos pilares do tratamento e sem a qual não podemos vislumbrar melhora. Um sono de melhor qualidade também é importante, mas deve-se evitar medicações que causem dependência. Por fim, não há indicação de afastamento do trabalho de forma definitiva – muitas vezes os sintomas podem até piorar. Porém, medidas como realocação de função, ginástica laboral, entre outras, são importantes para minimizar o impacto nos sintomas do paciente.
Dr. Pedro Guilherme Schneider
CRM – 28572
Reumatologista