Filhos, a busca pela eficiência e a ineficiência

Nos últimos tempos tenho percebido um crescimento importante por busca de profissionais para atendimento a crianças. Engana-se quem pensou que estou falando no aumento à procura por terapia infantil, não é isto.
Temos observado uma grande facilidade em indicarmos profissionais para atender nossas crianças (psicopedagogas, psicólogas, psiquiatras, psicomotricista, fonoaudióloga, nutricionista…).  Há algum tempo atrás, falávamos das agendas saturadas com atividades extraclasses (ballet, natação, inglês…). Será que estamos com tantas crianças doentes…. Ou será que já estamos ficando doentes com tantas informações.
Informação hoje é o que não falta, mas vejo que os pais estão cada vez mais perdidos na missão de criar e educar seus filhos diante de tanta informação.
Talvez muitos possam me questionar, afinal quanto mais aprendemos mais evoluímos. Mas será que este excesso de informações não está trazendo danos…. Fazendo com que nos distancie da nossa função original que é sermos pais, olharmos para os nossos filhos, sentirmos eles, conhecermos…. Enfim, e não irmos ao encontro de uma fórmula para o melhor filho.
Estamos num momento em que temos precisado ensinar os adultos a olhar as nossas crianças, para compreendê-las no que fazem e sentem. Aos poucos, perdemos a imagem social da infância e de como é uma criança. Os adultos não sabem mais conviver com as crianças, não suportam mais seus comportamentos tão típicos.
Criança é viver e experimentar tudo o que for possível, na tentativa de conhecer o mundo ao seu jeito e não apenas pelo olhar e compreensão do adulto.  Com certeza ela fará aquilo que já lhe disseram inúmeras vezes para não fazer, mas ela tem curiosidade, precisa entender e checar ao seu modo. A qualquer excesso de energia, alegria e vontade de viver e explorar, já estamos rotulando de teimosa, impulsiva, desobediente…
Mas se imaginam que a ideia é condenar aos pais…. Não…. Vejo que estes viraram vítimas do sistema, das pressões sociais; confusos inclusive com os papéis que cabem aos pais e à escola.
Neste momento não cabe buscar os culpados… E sim nos unir para identificar estes novos desafios do mundo moderno.
O processo educativo é um embate, mas se engana quem pensa que o filho recusa quem mostra autoridade, isto é um acalento à uma criança.
Apenas temos que ser coerentes nas nossas punições, tendo em vista os nossos atos.
Vamos acompanhar nossas crianças, tentar entendê-las, ter um olhar mais amoroso sem tanto julgamento. Aposto que desta forma conseguiremos fazer escolhas bem mais sensatas.

Dra. Caroline Peter Scherer
CRM 25436

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 01 de agosto de 2016.