Hiperidrose
Hiperidrose, a doença do suor excessivo, pode provocar vergonha e trauma, diz médico. Nos dias mais quentes, é comum transpirar um pouco além do normal. O nervosismo e a ansiedade também podem aumentar o estímulo das glândulas sudoríparas. Mas quando a transpiração passa da conta, a pessoa pode estar com hiperidrose, afirma o médico cirurgião Luiz Eduardo Villaça Leão, professor de cirurgia torácica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). De acordo com o especialista, esta doença faz a pessoa sentir vergonha a ponto de causar isolamento. Quando isso acontece, não pense duas vezes, procure um médico.
 
A hiperidrose primária ou sudorese aumentada é uma doença que causa suor excessivo na pessoa. Essa transpiração ocorre principalmente na palma da mão, nas axilas, na planta dos pés, no couro cabeludo e no rosto.
 
De acordo com o médico cirurgião Luiz Eduardo Villaça Leão, professor de cirurgia torácica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o suor em excesso se deve a um estímulo exagerado que o nervo simpático (responsável por estimular ações do organismo) provoca nas glândulas sudoríparas. Não se pode afirmar que há causas concretas que levam à hiperidrose, mas fatores como estresse e ansiedade podem potencializar o quadro.
 
O especialista explica que o distúrbio pode causar vergonha diante das pessoas e, até mesmo, trauma.
— A pessoa não consegue ficar de mãos dadas; o celular fica molhado; há dificuldade para usar o teclado do computador e ao escrever, cria-se uma ‘poça de água’ no papel. Tudo isso pode afetar tanto a vida pessoal quanto a profissional.
 
A hiperidrose, além de ser extremamente desconfortável, não deixa o indivíduo usar roupas coloridas e algumas pessoas chegam a utilizar absorventes femininos ou toalhas de papel debaixo dos braços. Há quem troque de camiseta três a quatro vezes por dia ou exalem mau cheiro. Em casos assim, é importante procurar ajuda médica.
 
Um dos procedimentos comuns para a hiperidrose é o uso do botox. Do ponto de vista prático, a toxina botulínica é mais eficaz nas axilas, pois a região apresenta um tecido mais sensível à substância. A aplicação tem duração de quatro a cinco meses. No entanto, com o passar do tempo, esse procedimento pode não surtir mais efeito devido à formação de anticorpos que defendem o corpo contra a proteína ‘estranha’ introduzida, explica o especialista.
 
Em alguns casos recomenda-se o tratamento cirúrgico. O procedimento consiste em um corte no nervo simpático, que ‘interrompe’ os estímulos provocados nas glândulas sudoríparas. Como o nervo passa por todo o corpo, a região mais apropriada para a operação é o tórax. Nele, estão os nervos responsáveis por controlar a transpiração nas mãos, axilas e cabeça. A novidade, segundo o professor Villaça, é que por ser um procedimento simples, o médico não precisa abrir a caixa torácica e, sim, fazer apenas pequenos furos.
 
A cirurgia é um pouco dolorida, mas isso pode ser tratado à base de analgésicos, explica o médico. Após o procedimento, o paciente recebe alta no dia seguinte. Mesmo que a pessoa trate, há uma pequena chance de o problema voltar, ou seja, de 0,5%.
 
O professor ressalta que o uso de talco, leite de magnésia e limão nas axilas não diminui o suor excessivo. Já a depilação dessa região ajuda fixar melhor o antitranspirante, mas somente quando a transpiração é normal.
 
Em apenas 30% dos casos o problema tem origem hereditária, ou seja, há mais chances de a doença surgir caso alguém na família apresente a hiperidrose. Segundo o médico, o suor excessivo na palma da mão pode aparecer desde a infância, já nas axilas é mais comum durante a puberdade.
 
FONTE: noticias.r7.com – Saúde