Intolerância à lactose

Há uma confusão muito grande em relação à intolerância à lactose e alergia ao leite de vaca. Muitas pessoas acham que são sinônimos, mas são doenças bem diferentes.

A lactose é o açúcar predominante do leite. Para ser aproveitada pelo nosso organismo ela necessita da presença de uma enzima  chamada lactase, que é a responsável pela “quebra“ da lactose. A deficiência da lactase resulta na má digestão da lactose e consequente sintomatologia. Ao chegar ao intestino, a lactose não digerida é fermentada por bactérias, produzindo gases e ácidos. Ora, esses gases determinarão náuseas, cólicas, distensão abdominal, flatulência, dor e diarreia.

Principais tipos:
– Pode ser congênita (muito rara, eu até hoje não tive nenhum paciente com esse tipo de deficiência).
– Redução da quantidade e/ou da qualidade da lactase na vida adulta é uma condição comum, afetando mais da metade da população mundial. Ocorre na maioria das vezes por uma mutação sofrida pelo gene responsável pela produção da lactase.
– Ocasionada por doença intestinal (tipo gastrenterite prolongada). Cirurgias no intestino também podem causar intolerância.
– Bebês prematuros podem ter intolerância à lactose por ainda não ter o intestino totalmente desenvolvido.

O diagnóstico será feito a partir da suspeita clinica. Existem alguns exames laboratoriais que poderão ser realizados, sempre com grande desconforto do paciente, visto que ele terá que ser submetido à ingestão da lactose. Recentemente também poderá ser realizado o diagnóstico através de um exame genético. Mas tal método ainda tem um custo elevado.

E o tratamento? Consiste basicamente em adotar uma dieta que mantenha os nutrientes do leite (principalmente o cálcio, para evitar osteoporose) e reduza a quantia de lactose. Dependendo da gravidade da intolerância, o paciente pode consumir alguns produtos lácteos  sem que apresente sintomas.  Existe também a possibilidade de usar a lactase quando for ingerir derivados lácteos, mas a resposta é individual e muitas vezes insatisfatória.

Dra. Margaréte Fernandes dos Santos
CRM 18342