Labirintite

A tontura é um sintoma muito comum. Nos idosos a freqüência é ainda mais alta. As causas são várias: cardíacas, neurológicas, vasculares, distúrbios do metabolismo, medicamentosas, etc. Por esse motivo, nem sempre a razão da tontura é de fácil diagnóstico.
Frequentemente recebemos pacientes no consultório se queixando de “labirintite”, e não é incomum já virem tomando algum medicamento que um familiar ou vizinho já usou. A causa da tontura pode ser tão simples como uma virose ou tão grave como um derrame. Portanto, é de extrema importância que o paciente procure atendimento com brevidade, para que se possa excluir causas graves.
Uma vez que causas agudas e severas são excluídas, procede-se para o tratamento da tontura, se esta persistir. Pacientes que fazem uso de várias medicações para a pressão podem ter alterações cardiovasculares como causa. Alteração na tireóide, diabetes, colesterol, distúrbios reumatológicos, deficiência de vitaminas e minerais e anemia são causas possíveis. Nas demais situações, os distúrbios intrínsicos do labirinto ou alterações neurológicas se estabelecem como diagnósticos principais.
Existem várias medicações para o controle da tontura causada pelo labirinto (também chamada de vertigem), entretanto são sintomáticos. Quando a tontura permanece por muito tempo, exercícios que estimulam o labirinto aceleram o processo de melhora. As medicações são como facas de dois gumes: se, por um lado melhoram os sintomas (por sedarem o labirinto); por outro, atrasam a melhora natural pela adaptação do labirinto. O melhor tratamento para as vertigens crônicas são exercícios para estimular o labirinto.
Nosso labirinto consegue ter seu funcionamento otimizado. Quem não se perguntou como podem os ginastas dar várias piruetas no ar e caírem paradinhos? Uma pessoa destreinada jamais conseguiria repetir tal feito. Os ginastas não nasceram com “super” labirintos. O treinamento diário e exaustivo do labirinto é que permite tamanho controle. Treinamento semelhante também pode, e deve, ser realizado para pacientes com vertigem. O problema é que os pacientes com tontura crônica evitam fazer os movimentos que causam desconforto, entretanto estimular esses movimentos pode ser justamente o necessário para a recuperação mais rápida. Pode ser perigoso provocar esses movimentos sem orientação profissional, por isso existe a reabilitação vestibular. Essa reabilitação é realizada por fonoaudióloga ou fisioterapeuta treinadas para isso, com exercícios específicos e que vão aumentando progressivamente a dificuldade. Estudos mostram o grande benefício que a reabilitação vestibular traz aos pacientes com vertigem.

Dr. Eduardo Homrich Granzotto – Otorrinolaringologista – CREMRS – 27691