Luto e Dor

Perder quem amamos ou um relacionamento do qual não queremos nos desfazer costuma ser um processo  extremamente doloroso; quando esta vivência não é reconhecida e autorizada socialmente, a situação se torna ainda mais difícil.

Cada cultura tem suas próprias representações sobre o fim da vida e regras para a expressão do pesar.

O processo tem início após a perda significativa de um objeto – entendido como, uma pessoa, um relacionamento e até uma situação que tenham sido investidos de afeto e energia e com o qual se tem um vínculo forte.

Entretanto o que é considerado significativo para quem sofreu a perda nem sempre é reconhecido e valorizado da mesma forma pela sociedade.

A tarefa do luto é dar um sentido à perda para que a pessoa enlutada consiga seguir em frente. Reconhecer e aceitar a realidade; lidar com os problemas que advêm da experiência da perda, permitindo que a pessoa se reorganize sem a presença do objeto perdido; por isto, ao contrário do que muitos imaginam não é melhor “tapar o buraco”, arrumar substitutos para o vazio, e sim arrumar um suporte para lidar com este vazio, possibilitar expressar e compartilhar a dor.

No inconsciente, cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade, é como se só os outros tivessem existência finita. E quando se trata de encarar a morte de uma pessoa amada, em geral num primeiro momento, temos dificuldade de concordar que quem sofre somos nós, os vivos – e não aqueles que se foram. Os rituais como velório, enterro, cremação e cerimônias religiosas nos ajudam a enfrentar e aceitar o que é irreversível. Por mais difícil de vivenciar estas experiências, sem elas o luto pode ser mais extenso e doloroso.

Dra. Caroline Peter Scherer
CRM – 25436