Medicina e Estatística
Todos estamos perplexos com as novidades sobre protocolos de exames médicos de rotina. Várias instituições conceituadas como o Instituto Nacional do Câncer (INCA) que norteia os protocolos do SUS e em vários países onde a saúde é socializada, também já indicam frequência de exames bem menor do que nos foi ensinado e do que era preconizado pelas  Sociedades de Especialistas.
Vamos nesta coluna avaliar dois exemplos bem pontuais na ginecologia:
1) Exame Citopatológico – Papanicolau: na universidade e em vários cursos aprendemos que deveria se colher citopatológico  anualmente nas mulheres em idade reprodutiva. Em 92-93 na Europa começaram a preconizar a coleta de 3/3 anos após dois exames normais. O INCA e o SUS no Brasil incluíram agora essa norma nos seus protocolos também, pois estudos estatísticos mostram que há um risco muito baixo de se ter o desenvolvimento de câncer do colo uterino em três anos. Além disso indicam que haviam muitas biópsias e outros procedimentos que seriam desnecessários para mulheres mais jovens, nas quais as lesões poderiam regredir espontaneamente.
 2) Mamografia: recentemente a mídia citou estudos que demonstravam que a mamografia, nas mulheres de baixo risco, só modificaria a mortalidade quando realizada após os 50 anos e deveria ser feita em intervalo de 2 anos, pois o risco de haver desenvolvimento de câncer na mama em 2 anos seria muito baixo e que antes dos 50 anos haveriam muitas biópsias desnecessárias, ou seja, muitos exames falso positivos.
Ora, penso eu, para os pesquisadores e administradores é muito fácil mudar protocolos visando somente os índices levantados estatisticamente de mortalidade por certa doença e o seu custo x benefício.  Mas para nós médicos, frente à frente com o (a) paciente a situação não é nada confortável, nem aceitável.
Por isso sugiro que na medicina, assim como na vida em geral, sempre devemos nos guiar pelo bom senso e equilíbrio, além de um excelente relacionamento com o/a paciente. Afinal é o/a nosso paciente que devemos satisfazer ou não é?
Dra. Carmem Helena Snel CRM 13284
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Especialista em Geriatria pela ULBRA
Especialista em Acupuntura Médica pela Associação Médica Brasileira