Meninos de hoje, homens de amanhã

      Ansiedade, nervosismo, medo, fobia, pânico, depressão… Estamos a cada dia mais mergulhados nestes sintomas que têm invadido nossas vidas, nossas casas, nossos trabalhos… Mas e daí, o que aconteceu?  Será que aumentaram as doenças mentais? Estamos diagnosticando mais? Procuramos mais ajuda? ou os problemas estão aumentando?  Talvez todas estas questões façam sentido, mas quero avançar um pouco mais e questionar se não temos alguma responsabilidade sobre este adoecimento.
A cada dia que passa observo o quanto as pessoas estão mais exigentes, menos tolerantes e numa busca ilusória de ter uma vida perfeita. Talvez alguém possa questionar  “mas isto não é bom”… sim, acho que realmente precisamos buscar sempre uma melhora, uma evolução. Mas até onde podemos ir?
Talvez possamos abranger esta avaliação para vários setores da vida ou várias fases dela. Mas a que me chama mais atenção são as crianças. Faço questão de olhar para elas hoje porque elas podem vir a ser os nossos adultos ansiosos e fóbicos de amanhã.
Tenho certeza que quanto mais evoluímos e melhoramos nosso padrão de vida, mais possibilidades e recursos poderemos oferecer aos nossos pequenos. Buscando as melhores escolas, a maior disponibilidade de cursos e aulas extraclasses, os melhores profissionais… enfim, uma gama de possibilidades. Mas este mundo vasto de oportunidades de nada adianta se não tivermos a disponibilidade de olhar para ele, curtir junto, e participar.
Ao mesmo tempo que tenho visto uma liberdade muito maior às nossas crianças, justificada em mudanças de um mundo moderno, em contraponto vejo uma cobrança excessiva e descabida em cima destas. Os erros, deslizes, e escolhas erradas ou até a falta delas, são muitas vezes cobradas e condenadas sem nem mesmo ter tido a oportunidade de serem ensinadas. Estamos em falta com nossas crianças. O agito do dia-a-dia, o estresse e excesso de trabalho, as jornadas prolongadas e a falta de tempo, tem nos tornado mais intolerantes e exigentes aos erros e deslizes normais  do desenvolvimento.  Estamos desaprendendo a escutar e abusando de nosso poder de mandar.
A nossa presença e acompanhamento faz com que os erros e as experiências negativas dos pequenos sejam muito melhor elaboradas, colaborando para um desenvolvimento emocional mais saudável.
Vamos cuidar das nossas crianças!

Dra. Caroline Peter Scherer
CRM 25436