“Minha barriga dói!”
         Essa é uma das queixas mais comuns ouvidas por pais e professores e que origina muitas consultas pediátricas. É frequente a queixa de dor abdominal após as refeições, muitas vezes para manifestar a sensação de plenitude (estar satisfeito); durante situações de estresse, como na época de provas escolares; antes de evacuar ou eliminar gases, aliviando imediatamente após de fazê-los. É importante pais e cuidadores estarem atentos às queixas para tentar diferenciar situações cotidianas benignas de causas que possam afetar o desenvolvimento da criança e até mesmo ser motivo de faltas escolares ou alteração do convívio social.
         A dor abdominal é um sintoma que pode estar presente em diversas doenças, tanto orgânicas como psicossociais. Fazem parte do diagnóstico diferencial de dor abdominal: constipação, apendicite, infecção urinária, gastroenterite, pneumonia, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável, cólicas menstruais além de uma série de outras patologias. A observação cuidadosa dos fatores desencadeantes e de alívio da dor, como a ingestão de certos alimentos (leite por exemplo), presença de infecções virais ou bacterianas recentes, uso de medicamentos como antibióticos ou anti-inflamatórios auxiliam o médico na elaboração da hipótese diagnóstica e no pedido de exames complementares.
         A maioria das causas da dor abdominal é relativamente benigna, muitas vezes associada a hábitos alimentares inadequados, como o consumo exagerado de refrigerantes, guloseimas além da falta de ingestão de frutas, legumes e água. Outras vezes, desencadeada por situações de estresse na família ou escola. Em cerca de 90 % das dores crônicas, com duração de mais de 3 meses, nenhuma causa orgânica é identificada.Dessa forma, é importante estar atento aos sinais de alerta que possam sugerir uma doença mais grave:
• Dor localizada fora da cicatriz umbilical.
• Acordar à noite pela dor.
• Dor associada a mudanças de hábito intestinal (diarréia, constipação).
• Dor para urinar.
• Manchas na pele
• Inchaço nas articulações.
• Sangue nas fezes ou vômitos com sangue.
• Vômitos de repetição, principalmente se amarelados.
• Febre recorrente, falta de apetite, cansaço.
• Diminuição de peso ou retardo de crescimento.
• Dificuldade para engolir.
         Frente a alguma dessas manifestações, consultar com seu pediatra para um exame físico detalhado e, se necessário, investigação laboratorial.
 
DRA. JULIANA CRISTINA ELOI   –  CRM 024705
GASTROENTEROLOGIA PEDIATRICA