Nossas crianças
Em muitos lugares e grupos variados nos quais convivemos temos escutado muitas críticas condenando o comportamento atual de nossas crianças. Não é raro ouvirmos falar que as crianças estão muito rápidas, sem limites, querendo adultecer antes do tempo… Logo me pergunto, “será as crianças o verdadeiro problema”?
Temos várias justificativas para este cenário, muitas ou quase todas relacionadas ao mundo atual, à tecnologia, à modernidade,… Coisas estas que não estão no nosso alcance, que não temos o controle para mudar. Mas isto basta? Será que não estamos apenas buscando um conforto, um alívio para a nossa impotência?.
Estamos em novo momento, precisamos mudar junto com as mudanças do mundo, precisamos nos desapegar de antigas convicções e construir um novo modelo educacional. Precisamos aprender a escutar e observar nossas crianças para ajuda-las a explorar as suas melhores qualidades, nos libertando de um modelo rígido e ultrapassado. Temos que cuidar para não sermos cegados por esta tecnologia que nos seduz, e não deixar para olhar o problema quando este já chegou em nossa casa, talvez já estejamos atrasados.
Estamos nos usando deste personagem infantil para expressar nossas frustrações e insatisfações, para nos revoltar com o mundo; talvez porque à eles é permitido gritar, brigar, xingar … afinal, são crianças.
Temos que aprender a construir uma solução, uma nova proposta; mas para isto temos que sair da nossa zona de conforto, encarar nossas falhas. Parar de cobrar delas algo que nós adultos não conseguimos fazer.
As crianças aprendem noções de valores através de ações e não de palavras, esquecemos ou não sabemos que o aprendizado de uma criança não está restrito ao conteúdo pedagógico, mas sim a um sistema de valores, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. O exemplo de comportamento dos pais é considerado um dos maiores fatores de influência sobre o próprio comportamento.
Vamos perder o medo de nos olhar mais para ajudar nossas crianças!
Dra. Caroline Peter Scherer
Psiquiatria – CRM 25436