O uso de medicação em doenças crônicas

Em vários congressos, que tenho participado nos últimos três anos, as pesquisas de acompanhamento à pacientes em tratamentos psiquiátricos, veem apontado que, aproximadamente, 50% das pessoas, após seis meses de tratamento, alteram as doses e a forma de usar os medicamentos prescritos. Esses achados são para depressão, transtornos de ansiedade, transtorno afetivo bipolar, doenças crônicas, muitas vezes sem cura. Um óbice! Mas como diz o ditado popular “de médico e de louco todo mundo tem um pouco.”
Esses resultados vêm ao encontro, nestes mais de 25 anos de atuação como médico psiquiatra, as minhas análises, com muitas pessoas que atendi a partir de 1990, – que não cumpriram com os protocolos de orientação medicamentosa, os familiares ou eles, e – que procuram-me já numa circunstância com quadros demenciais ou com graves prejuízos cognitivos, alguns já não tendo capacidade plena de tomar decisões, necessitando de cuidados da família ou precocemente em lar geriátrico.
Insisto, transtorno afetivo bipolar e depressão são doenças, hoje consideradas fator de risco para doença de Alzheimer, que matam, pois em cada crise, há uma inflamação no cérebro, com perdas de neurônios. Isso já comprovado pela ciência, por meio de PET, exames funcionais do cérebro. Em outras palavras, a doença quando não tratada adequadamente, aqui, a referência recai a forma do uso medicamentoso, cronificam, causam lesões irreparáveis no cérebro e matam. Posto aqui, sobre doenças da minha área, mas também coloco em relação à cardiologia, endocrinologia, reumatologia e todas as especialidades que lidam com doenças crônicas.
Todavia, toda a ação tem uma reação. Caso os sujeitos não queiram adoecer, tomar remédios de forma ajustada… o arremate promissor, já divulgado na mídia, é intentar no segredo do – por quê comunidades como, por exemplo, Veranópolis aduzem expectativa de vida elevada. O que já existe comprovado: alimentação saudável, sem excessos, comer pouco, apenas o suficiente, atividade física regular de baixa intensidade, evitando frequência de batimentos cardíacos acima da de 60 a 70, sono regular de 6 a 8 horas, espiritualidade e vida social com qualidade, evitando o stress.
A medicina, na minha especialidade ou noutras, vai seguir o curso, ou seja, continuar acolhendo, atentando a quem sofre de doenças crônicas. “Você decide se quer ser médico ou louco.” Em outras palavras, envergando Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco(…) conformar-se ou resignar-se é uma decisão livre, tanto quanto não se resignar nem se conformar, lutando contra as circunstâncias.

Dr. Andres Kieling
MÉDICO PSIQUIATRA
CREMERS 15169

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 03 de julho de 2017.