Obesidade Infantil – o bonitinho vilão

Que gordinho lindo! Quantas vezes escutamos isso em relação as crianças?

Pois saiba que bebe gordinho não significa bebe saudável. Pelo contrario. A obesidade infantil atinge hoje números assustadores com consequências graves a saúde das crianças. Cerca de 6% das crianças menores que 5 anos do mundo estão obesas (isso são 70 milhões de crianças), e elas se localizam principalmente nos países em desenvolvimento (30% a mais que nos países desenvolvidos). Porque??

Dieta desequilibrada. Falta de acompanhamento e aconselhamento pediátrico. Falta de atividade física.

O problema costuma começar nos hábitos da família. Pais gordinhos com hábitos de alimentação ricos em industrializados e farináceos tendem a não cuidar a alimentação durante a gestação, criando um ambiente metabólico anormal já intra-utero para o bebe. Quando não fazem acompanhamento adequado também não amamentam pois acham que leite materno não sacia o recém nascido o que aumenta em 22% a chance de obesidade já que formulas infantis tem mais calorias e mais proteínas que o leite materno. Além disso no seio materno o bebe tem o controle de quanto vai mamar e na mamadeira ele recebe um volume calculado e sua auto-regulação fica prejudicada. Como comem mal tendem a não ver problema no filho que não come verduras e frutas. A criança aprende com o exemplo  e se o exemplo não esta dentro de casa dificilmente terão hábitos saudáveis.

Então como melhorar este panorama? Mudar a cultura que criança gordinha e saudável e criança magrinha e doente deve começar no consultório do pediatra. Estimular o aleitamento materno exclusivo ate seis meses, sem aguas adocicadas, sem sucos de frutas e usando formulas infantis somente quando necessário já e um grande passo. Usar as curvas de crescimento que tem na carteirinha de vacinas da criança e mostrar aos pais o biótipo que a criança tem também ajuda para que visualizem o problema. E na introdução alimentar estimular  o consumo de alimentos in natura, frescos e não ultra processados estimulando inclusive uma mudança de hábitos familiar.

Mas porque? Obesidade leva a hipertensão, dislipidemia, diabete tipo 2, fígado gorduroso, puberdade precoce, ansiedade, depressão, bullying, baixa autoestima, alterações ósseas, piora da asma…que na vida adulta ainda aumentam a chance de diversos tipos de câncer, acidente vascular cerebral, entre outros problemas graves de saúde. Tendo conhecimento da gravidade do quadro o olhar sobre a obesidade muda. Todos os pais buscam saúde para seus bebes então orientar e básico.

Resumindo: 5 tipos de frutas/vegetais ao dia; menos de 2 horas de telas ao dia (sim comer olhando o celular ou televisão não e saudável); mais de 1 hora de atividade física adequada para a idade por dia; zero açúcar ate dois anos de vida – cria uma base adequada para uma vida de escolhas mais saudáveis e um futuro com menos problemas de saúde.

Informe–se! Converse com um profissional de saúde e busque para a nova geração uma vida com menos remédios e mais qualidade de vida.

Dra. Thayane da Silveira Feltes
Pediatra
CRM 33418

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde, Segunda-feira, 28 de agosto de 2017.