Obesidade na infância – Uma ameaça galopante

Obesidade, em um conceito simplista, é o acumulo de gordura corporal. Ela é resultante de um desequilíbrio entre a quantia de calorias que o indivíduo ingere e a que ele gasta.

É multifatorial: sofre influências genéticas (se um dos pais é obeso, o risco do filho também ser é de 50%), biológicas, ambientais, socioculturais, comportamentais e econômicas.

É, portanto, uma doença complexa. está crescendo de uma forma assustadora e constitui atualmente um problema de saúde pública mundial. o governo brasileiro começa a despertar para tal condição: foi lançada em março de 2013 uma campanha de combate à obesidade infantil nas escolas. Devemos mandar lanches saudáveis para nossos filhos e checar as cantinas das escolas para verificar a qualidade dos lanches que lhes são oferecidos.

O problema, contudo, também deve ser combatido dentro de casa. O Perigo das ruas tem deixado nossos filhos presos a televisores, computadores e videogames ao invés de estarem correndo, jogando bola, pulando corda e andando de bicicleta.

Aliado a tal condição, temos mães inseridas no mercado de trabalho e refeições familiares sendo feitas de forma cada vez mais individual, com lanches prontos ou comidas de alto valor energético e pouco valor nutritivo.

Muitas vezes as mães se culpam por ficar pouco tempo com os filhos, e acabam “premiando-os” com porcarias, doces, cereais e farinhas refinadas, gorduras saturadas (laticínios integrais, carnes gordas), gorduras trans (frituras, salgadinhos) e alimentos industrializados em geral.

Há a necessidade de uma consciência de que a obesidade não é um problema meramente estático. Além de sofrer “bullyng” por parte dos colegas, as crianças obesas podem vir a ser adultos obesos e, já a infância, poderão apresentar os vários problemas de saúde decorrentes do excesso de peso. Temos como exemplo pressão alta, diabetes, doenças cardíacas, alterações esqueléticas, distúrbios articulares, aumento de triglicerídeos e colesterol, doença gordurosa do fígado.

O tratamento é urgente, requer envolvimento familiar e começa no carrinho do supermercado. Modificar os hábitos alimentares é o primeiro passo. Trocar as bolachas e salgadinhos por frutas e verduras, derivados lácteos por semi desnatados ou desnatados e dar preferência para o arroz, massas e pães integrais em detrimento dos refinados. Não se deve levar para casa alimentos que não deverão ser consumidos.

Então, como podemos prevenir a obesidade? Estudou mais recentes têm demonstrado que já na gravidez poderá se dar o primeiro passo, chamado de “programação metabólica”.

São três os fatores de risco determinantes para obesidade:
• ganho de peso na gestação;
• aleitamento materno;
• introdução de alimentação complementar.

Neste sentido, a amamentação exclusiva deve ser mantida até 6 meses, com introdução de alimentos complementares após o sexto mês de vida.

Conhecendo a doença, combate-la se torna mais fácil.

Mãos à obra!

DRA. MARGARÉTE FERNANDES DOS SANTOS
CRM 18342