Para memória não falhar!!!

Estamos vivendo mais, o grande desafio é dar qualidade de vida, a estes anos que ganhamos, envelhecendo melhor. Essa mudança terá reflexo nas três gerações: passaremos mais tempo com nossos filhos e também com nossos pais.

Quando falamos em envelhecer com qualidade de vida, devemos pensar no aspecto físico (força física: para caminhar, levantar, tomar banho, etc. – estes aspectos vamos abordar em outro texto), e mental, pensando em preservar a memória. Já aprendemos a prevenir doenças cardiovasculares (infartos e derrames), mas devemos nos preocupar com o cérebro, pois as enfermidades que o acometem, geralmente iniciam após os 60 anos.

Com o envelhecimento, há diminuição de neurotransmissores (substâncias que fazem a ligação entre os neurônios) ligados aos aspectos afetivos, à atenção e à memória. O corpo libera menos melatonina (que induz o sono) e a flacidez muscular dificulta a respiração, principalmente durante o sono, comprometendo a qualidade deste. Morte de pessoas próximas, aposentadoria e doenças crônicas também tem um efeito deletério. Somados, esses fatores compõem um quadro que pode levar a depressão, que virá a comprometer a memória.

Hoje podemos dizer que um coração saudável, corresponde a um cérebro saudável, pois os mesmos fatores de risco para enfermidades cardíacas o são, para enfermidades cerebrovasculares.

Podemos também propor outros fatores de prevenção para um envelhecimento cerebral saudável:

  • Deixe o idoso responsável por funções, sentir-se útil é importante para saúde psíquica.
  • Idosos têm uma resistência menor ao estresse, sendo mais afetados por pequenos aborrecimentos, familiares e cuidadores devem ter cuidados em informar os problemas e mudanças com antecedência.
  • Tente “negociar” as perdas: se o idoso não puder fazer alguma atividade, como alguns passeios, utilize o tempo vago para propor outra atividade de lazer.
  • A aflição e o nervosismo podem bloquear ainda mais a memória. Manter a calma ajuda às lembranças a fluírem com mais facilidade.
  • Avalie com que situações a falha da memória é mais freqüente. Esquecer o nome de alguém que acabou de conhecer ou o local onde deixou os óculos é algo comum com o envelhecimento, há uma diminuição da memória imediata. Já a perda da memória laboral (coisas que fazemos regularmente) pode ser indício de algum problema, não é normal, alguém que faz nó de gravata ou tricota diariamente se esqueça do passo-a-passo dessas atividades.
  • A memória pode ser exercitada com estímulos, como ver que dia e mês estamos, ler, pintar, cantar, aprender coisas novas diariamente e importante continuar a se sentir útil.

João Senger
Geriatra
Ex-Presidente da Associação Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica

Fonte: Jornal NH – Caderno de Saúde – Segunda-feira, 10 de abril de 2017.