Quando a memória falha

Uma das queixas mais freqüentes nos consultórios, nos dias atuais: “Dr. minha memória esta ruim”. O que isso significa, é um sintoma de doença ou é normal?

Quais os fatores que afetam e como lidar com isto.

Podemos dividir esquematicamente a vida, em 3 etapas, conforme a faixa etária. Crianças e adolescentes, adultos e após os 50 anos. Em cada faixa etária, o esquecimento tem significados diferentes, mudando a preocupação e o entendimento.

Em crianças e adolescentes suspeita-se de distúrbios como TDAH (defict de atenção), Transtornos de Ansiedade, Depressão e outros distúrbios. Também maus hábitos como dormir pouco, excesso de estimulos, stress familiar, dificuldades de adaptação. Importante salientar,  que  as crianças apresentam um desenvolvimento emocional e intelectual diferentes,  onde nem sempre a dificuldade de memorização e aprendizagem, significa sintoma de distúrbio.

Nos adultos as causas mais comum são TDAH, Depressão, Transtornos de ansiedade,  Pânico e doenças sistêmicas que afetam o cérebro, uso de drogas licitas e ilicitas, Insônia e má qualidade do sono. Nestes casos são sintomas, que precisam ser valorizados.

Mas a etapa que mais preocupa é após os 60 anos, quando geralmente o esquecimento é associado como sintoma ou possivel sinal de Demências. A memória funciona como um depósito de informações, que com o envelhecimento, vai diminuindo o espaço de armazenamento de novas informações. Geralmente a causa mais comum, são os quadros depressivos tratados de forma inadequada. Déficits cognitivos também são comuns, mas é preciso serem avaliados corretamente, para atuar na prevenção.

A preocupação com ela, quando dizemos “Não consigo lembrar” e não tentamos, também prejudica, pois estamos dando uma ordem para o cérebro: “Não procura que não vai achar”. Sempre tente lembrar.

Hoje temos métodos para avaliar, educar e quando necessário tratar, os quadros iniciais ou pré-demenciais. Também nem sempre significa doenças, podem ser quadros transitórios, que melhoram com o controle dos fatores estressores.

Dr. Andres Kieling
Psiquiatra-CREMERS 15169