Relação entre depressão e demências

Com o avanço da neurociência e dos métodos de investigação do cérebro, busca-se fazer a relação entre os quadros demências e as doenças que podem ser predisponentes. Isto tem sido possível devido a métodos de investigação, como ressonância magnética, TEPT, testagens diagnósticas como os psicodiagnósticos que avaliam cognição. Com isto, busca-se relacionar quando  os quadros depressivos evoluem para as demências.

A possibilidade de vivermos mais, com a expectativa de vida  aumentado de 75 anos , hoje, para 80 anos em 2020. Traz a preocupação de nos manter mentalmente saudáveis e ativos. Hoje estudando as demências, encontramos um grande nº de pessoas que sofriam de depressão e não receberam o tratamento adequado. Hoje acreditamos que esta pode ser um fator predisponente.

Na depressão sintomas cognitivos como dificuldade de compreender e avaliar fatos, falta de memória, esquecimentos, insônia crônica , alterações da fala, hipocondria e outros sintomas. Sintomas depressivos quando não tratados de forma adequada , após anos, podem levar a morte de feixes neurônios. Temos reservas para velhice, mas quando começamos a usar pre maturamente, podem faltar mais adiante. Crises depressivas frequentes, com grande incapacidade para vida, podem e devem ser avaliadas como de risco para as demências. Também os prejuízos para outras partes do organismo , como doenças sistêmicas, como HAS, diabetes, distúrbios metabólicos e outras também afetam o cérebro.

Depressão tratada de forma inadequada devido ao uso da medicação em sub-doses, uso irregular dos medicamentos, abandono prematuro , escolha inadequada de medicamentos, pois existem perfis genéticos diferentes, abuso de drogas licitas e ilícitas, medicamentos de má qualidade, pois somente para ANVISA (governo), a única diferença está no preço dos medicamentos e não na qualidade. Muitos fatores podem impedir a remissão completa dos sintomas, além de 20% das depressões serem refratarias, ou seja, não respondem a tratamento.

Fica o alerta, além da depressão afetar a saúde de outras partes do organismo, além do cérebro, é fator de risco de doenças vasculares como infarto e AVCs,  e outras , agora também temos condições de avaliar o impacto no próprio cérebro. Viver bem, com qualidade e controle da depressão, pode ajudar a retardar ou prevenir as demências.

Dr. Andres Kieling
Psiquiatra – CREMERS 15169