Relembrando: Proteína C Reativa (PCR)

1) INTRODUÇÃO:
A Proteína C Reativa (PCR), um marcador de resposta de fase inflamatória aguda, sintetizada no fígado e descoberta na década de 1930. É produzida pelo fígado principalmente, mas pode também ser gerada por neurônios, monócitos, linfócitos e alguns tumores e possui produção regulada por interleucina-6. Em relação ao ciclo, não possui variações diurnas e pode-se observar elevações sem sinais de patologia alguma em obesos, fumantes, diabéticos e sedentarismo, por outro lado pode-se apresentar diminuída pelo uso de corticóides, estatinas, niacina e fibratos.

Deve ser utilizada com outros biomarcadores, pois isoladamente não pode ser vista como um marcador prognóstico independentes não é órgão específico ou patologia-específica, pois deve ser abordada como exame de screening para um indicador prognóstico ou direcionar para investigações mais específicas; deve ser interpretada dentro do contexto clínico do paciente e os fatores que afetam os níveis de PCR devem ser considerados.

2) CARACTERÍSTICAS GERAIS:

Uma elevação da PCR é uma evidência inequívoca de um processo de dano tissular ativo. Pode também facilitar o reconhecimento de infecções intercorrentes em outras patologias já estabelecidas como lúpus eritematoso sistêmico ou algumas neoplasias, pois a natureza da doença primária e/ou os efeitos de um tratamento medicamentoso podem mascarar sinais e sintomas de quadro infeccioso.

Evidentemente outros biomarcadores devem ser usados para o estabelecimento de diagnósticos e prognósticos de doenças, mas sem dúvida a PCR pode sobremaneira substituir o histórico, impreciso e volúvel VSG (Velocidade de sedimentação globular).

3) CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS:

3.1) Possibilidades da utilização da PCR em emergência:
Endocardite infecciosa;
Choque isquêmico;
Quadro de sepse;
Doença de crohn ativa;
Cirrose com ruptura de varizes esofagianas;
Abdômen agudo;
Pneumonia;
Bacteremia;
Dor toráccica;
Pancreatite aguda;
Faringo amigdalite estreptocócica;
Doença coronariana estabelecida.

Embora a PCR não sirva para diagnosticar infarto agudo do miocárdio (IAM) pela sua baixa sensibilidade e seu baixo poder preditivo positivo (30% e 61% respectivamente), seu valor normal praticamente exclui esse diagnóstico, pois apresenta uma boa sensibilidade e um excelente valor preditivo negativo (80,4% e 96,7% respectivamente). Nos pacientes internados por dor torácica e sem outros motivos para internação, uma PCR normal é um dado que proporciona segurança para alta hospitalar.

A dosagem da PCR na avaliação dos paciente atendidos com dor torácica nas emergências pode ser útil na exclusão de diagnóstico de IAM, além de predizer eventos cardíacos adversos intra-hospitalares, quando seu valor for maior do que um terço do limite superior do intervalo de referência.

Quadro infeccioso com bacteremia representa um espectro de doenças que estão associadas com alto índice de mortalidade. A associação da PCR com a contagem de neutrófilos e linfócitos pode auxiliar na identificação do quadro de bacteremia, no sentido de tornar esta identificação mais robusta, pois a espera da hemocultura, por mais rápida que seja (automação) apesar de ser um exame de padrão ouro, a demora do resultado não pode ser considerada para qualquer paciente, principalmente nos casos graves onde a bacteremia/sepse possa trazer um desfecho de morte. A PCR sozinha possui um valor limitado na identificação precoce de bacteremia na maioria das infecciosas que possam cursar ou com grande chance de apresentar bacteremia. Assim a PCR torna-se importante não tanto para a detecção precoce de bacteremia, mas principalmente para o monitoramento e progressão da doença em pacientes críticos.

Importante também analisarmos os quadros emergenciais de abdômen agudo em que a PCR pode apresentar-se como um auxiliar importante. O valor diagnóstico da PCR para quadros de dor abdominal aguda mostrou uma sensibilidade de 79% e especificidade de 64% e uma exatidão de 73% para predizer a decisão da hospitalização quando se utilizar o ponto-de-corte de PCR superior a 5 mg/L. A PCR não se mostrou definitiva e robusta para a tomada de decisão no caso de decidir por procedimento cirúrgico em pacientes com abdômen agudo do ponto de vista metodológico/laboratorial basicamente possuímos três métodos para determinação da PCR, quais são: turbidimentia, nefelometria, aglutinação em látex e imunoensaio em slide. A PCR qualitativa normalmente determinada por aglutinação em látex tem um bom valor preditivo para as determinações com fins de screening.

A maioria dos métodos cursa com limites de determinação de 0,4 mg% a 0,6 mg% dependendo do fabricante e com coeficientes de variação, dependente de casuísticas, que cursam em torno de 7,0% apenas para noção geral, evidentemente com as peculiaridades dos estudos analisados, quando comparados testes de látex com turbidimetria apresentam sensibilidade de 86%, especificidade de 80%, valor preditivo positivo de 94% e valor preditivo negativo de 61%. Quando comparado o teste de látex com nefelometria apresentou sensibilidade de 100% especificidade de 59%, com valor preditivo positivo de 72% e valor preditivo negativo de 100% quando analisado turbidimetria e nefelometria o teste de correlação apresentou um r = 0,9698.

O Exame Laboratório realiza a PCR quantitativa por aglutinação em látex com limite de corte para positividade/negatividade de 6 mg% também realizamos a PCR quantitativa por imunoquímica com sensibilidade analítica de 0,1 mg%. Todos os testes são realizados diariamente e os resultados disponíveis a critério da sua solicitação.

A PCR tem seu valor quando analisado em um contexto clínico e juntamente com outros exames, mesmo porque são poucos os exames que sozinho são definitivos para uma conclusão diagnóstica fidedigna, pois no caso da PCR valores negativos podem ainda não excluir processo de resposta, mas a positividade torna importante a avaliação de que uma resposta do organismo está acontecendo e que esta deve ser bem avaliada, pois a PCR positiva, conforme vimos aparecem em quadros clínicos de gravidade e extensão importantes.
Peculiaridades técnicas e bibliografia consultada estão à disposição no setor de imunologia do Exame Laboratório.