Secreção mamilar pode ser um sinal de câncer de mama?

      A resposta para essa pergunta dependerá de algumas características dessa secreção, da idade, e de outros sinais e sintomas associados.
A secreção pela papila (mamilo) fora do ciclo gravídico-puerperal representa cerca de 5 a 10% das queixas no consultório de mastologia, e nestes casos cerca de 90 a 95% tem origem benigna.
A secreção pode ser láctea, chamada galactorréia, sendo frequentemente abundante e bilateral, causada por fatores não-mamários, que geralmente causam aumento da prolactina, como uso de algumas medicações, como hormônios (anticoncepcionais orais, estrogênios, hormônios tiroidianos), anti-hipertensivos (verapamil, metildopa, reserpina), alguns antidepressivos, e outros medicamentos, como opióides, coideína, sulpirida, cocaína, heroína, cimetidina. Existem algumas outras situações que podem causar hiperprolactinemia, como lesões no sistema nervoso central, lesões no tórax (herpes zoster, queimaduras, traumatismos), outra doenças sistêmicas, como insuficiência renal, hipotiroidismo, diabetes, entre outras.
Outras causas de secreção incluem nódulos dentro dos ductos, ou na proximidade deles e infecções.
Outras situações, como mamilos invertidos, eczemas e lesões cutâneas podem produzir secreção semelhante a um derrame papilar.
Os derrames papilares suspeitos geralmente são uniductais (saem por um único orifício), unilaterais (apenas em uma das mamas), aquosos ou sanguinolentos, e espontâneos (por exemplo, observados no sutiã). Derrame papilar em homens deve ser sempre investigado.
A investigação clínica consistirá nos exames de imagem, como mamografia e ecografia mamária, e se necessário ressonância magnética.
O tratamento vai depender das características do derrame mamilar. A maioria dos casos necessita somente orientação e tranquilização.
O importante é procurar atendimento médico se você perceber qualquer alteração na mama.

Gabriela Santos
Médica Mastologista
CREMERS 24627