Setembro Amarelo, um alerta

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) criou uma campanha para atacar um gravíssimo problema de saúde pública: Suicídio. Única doença que, nos últimos anos, não diminuiu os índices de mortalidade. Por mais que a medicina tenha evoluído, esta é uma causa mortis que não regride e nos momentos de crise, como estamos vivendo, aumenta sua estatística.
De cada 100 pessoas, estima-se que 17 possuem o pensamento suicida. Essa estatística alarmante não se deve somente por doença psiquiátrica, normalmente há algum motivo que leva o indivíduo a esse pensamento; 5 planejam o ato; 3 fazem a tentativa e somente 1 recebe atendimento adequado, principalmente em Pronto Socorro. Grande parte não recebe o atendimento adequado, geralmente o suicida avisa e dá sinais do seu objetivo, entretanto nem sempre amigos e familiares conseguem compreender esses sinais. Isto é um fato que demonstra porque são tão altas e se mantêm as estatísticas de suicídio. Em média, é na 5ª tentativa que se tem sucesso, isto demonstra um despreparo e as dificuldades para evitar este grave problema.
As 2 principais causas do suicídio: desespero e desesperança. O sofrimento emocional intenso leva ao desespero, e a sensação de que não há saída, que essa angústia só tende a aumentar, leva o indivíduo à conclusão de que a morte é a única opção, surgindo então a desesperança. Some-se a isso a sensação de ser um problema para os outros, principalmente para as pessoas que se ama. Dessa forma, os suicidas veem a morte como um alívio, o que os levam a fazer a tentativa. Quem está próximo sente-se imobilizado, sem saber como agir, e quando acontece o suicídio, há um sentimento de culpa por não o ter impedido.
Estima-se que quando alguém comete o suicídio, em torno de 10 pessoas vão adoecer, deprimir-se e se sentir responsável por não ter impedido. Sem dúvida, o mais difícil luto, pois como entender que alguém desista da vida por estar sofrendo?
A principal doença que gera desespero e desesperança, por conseguinte o suicídio, é a Depressão. Sintomas como tristeza intensa, falta de energia, desânimo, angústia, insônia, perda de concentração, culpa, irritabilidade, queixas clínicas persistentes, além de genética familiar para Depressão e Suicídio são sinais de alerta. Quando esses sintomas são acompanhados de Dependência Química, aumenta ainda mais o risco do suicídio. Também doenças clínicas graves são outro fator que aumenta os índices.
Os números estão aumentando, principalmente nos extremos da vida, infância e velhice. Crianças, principalmente pela desestruturação da família, quando são acometidas de violência doméstica e social. Idosos pela desesperança, causada pelo abandono, doenças graves e falta de atendimento adequado. Paradoxalmente, são essas faixas etárias que têm recebido menor atenção, provavelmente por não estarem na faixa de idade em que a pessoas é produtiva no trabalho e socialmente.
Grande parte dos suicídios ocorre em momentos de solidão intensa. Além da ajuda médica, do apoio familiar, espiritual (quem tem espiritualidade comete menos), social, as pessoas podem contar com o Centro de Valorização à vida (CVV), que dispõe do número de telefone 188, para que no momento de solidão o indivíduo possa ter acesso a alguém que o vai escutar e ter um gesto de solidariedade, sem julgar ou dissuadir a intenção, mas servir de continente ao desespero.
Em suma, o suicídio é um problema grave, que precisa ser encarado mais como uma doença do que como sinal de fraqueza ou coragem. Esta campanha visa ataca-la. Relevante ressaltar que o Rio Grande do Sul apresenta o maior índice de suicídios no Brasil e que precisamos debater como diminuir o número de casos.

Dr. Andres Kieling
Psiquiatra – CREMERS 15169

Fonte: Jornal NH – Caderno Saúde – Segunda-feira, 12 de setembro de 2016.