Surdo-mudez: condição extinta ou rara?

A medicina evolui com velocidade assustadora. Smartphones que monitoram o coração do paciente 24h por dia e mandam um aviso imediato ao Smartphone do médico, quando há alguma irregularidade, já são realidade. Os estudos com engenharia genética e células tronco estão nos abrindo opções inimagináveis há 20 anos. Estudos iniciais em animais já estão conseguindo reconstruir alguns tecidos que, até então, acreditávamos serem irrecuperáveis. A ciência nos abre infinitas possibilidades.

Na medicina atual já conseguimos ajudar o paciente com deficiência auditiva de várias maneiras que não era possível há 10 anos. Aparelhos auditivos mais modernos, implantes cocleares, baha, implantes de tronco são alternativas que já tornam, em países desenvolvidos e que levam a saúde pública a sério, a condição de surdo-mudez bastante difícil de ser encontrada, principalmente na camada mais jovem da população. Entretanto, talvez, o grande avanço para essa conquista não tenha sido nos tratamentos, mas sim no diagnóstico precoce da deficiência auditiva.

Hoje em dia já é bastante comum ouvirmos falar no “teste da orelhinha”, exame rápido e relativamente fácil de ser aplicado nas crianças recém nascidas. Esse foi o exame que tornou todos os tratamentos disponíveis atualmente (e futuramente) eficazes. A detecção precoce da deficiência auditiva é fundamental para a reabilitação do paciente. A criança apresenta, até cerca de dois anos de idade, uma fase fundamental para o desenvolvimento da fala e linguagem, se o diagnóstico for tardio e passar desse pedíodo, qualquer tratamento que for instituído terá resultados limitados.

Uma vez feito o diagnóstico, o tratamento tem que ser implementado o mais breve possível. Já temos alternativas de tratamento para pacientes com perda auditiva bilateral importante, na qual o aparelho auditivo tradicional não dá resultados satisfatórios: é o Implante Coclear, também conhecido como “ouvido biônico”. Temos o BAHA, que é um aparelho implantado diretamente no osso para pessoas que tiveram o tímpano e ossinhos destruídos, seja por cirurgia, infecções ou por terem nascido sem. O aparelho auditivo “Crosslink”, que é para pessoas que têm perda total da audição em um ouvido só, é outra recente novidade de tratamento.

Independente do tratamento, atual ou futuro, uma coisa é fundamental para o sucesso desse tratamento: o diagnóstico precose! A via auditiva é como qualquer outra parte do corpo, e necessita de estímulos constantes, do contrário, sofre atrofia. Portanto, a manutenção dos estímulos sonoros com aparelhos auditivos é fundamental para as aplicações futuras dos tratamentos com terapia genética e células tronco. Se a via auditiva sofrer atrofia, o tratamento não terá o resultado ideal. Infelizmente ainda existe muito preconceito com os aparelhos auditivos, sonhamos que um dia ele seja tão aceito como os óculos, que fazem função semelhante para a visão e se tornaram acessórios de moda.

Eduardo Homrich Granzotto
CREMERS 27691