Uma conversa sobre vitamina D

A falta de vitamina D (vit D) é uma situação muito comum nos dias de hoje e é um assunto que sempre gera muitas dúvidas. Quem tem risco de desenvolver deficiência de vit D? Quais os benefícios comprovados da reposição de vit D? Devemos ir para o sol, ingerir alimentos ou tomar suplementos de vit D? Vamos tentar esclarecer essas questões. Fazem parte do grupo de risco para deficiência de vit D: idosos, obesos, gestantes; pessoas com síndromes de má-absorção (Crohn, fibrose cística, bariátricos), insuficiência renal, cirrose, osteoporose, raquitismo e osteomalácia; aquelas que tem uso frequente de protetores solares ou que tem baixa exposição ao sol. A vit D é um pró-hormônio e é essencial para saúde dos ossos e músculos, já que atua modulando o sistema hormonal e facilitando a absorção do cálcio. Enquanto alguns estudos sugerem que a vit D poderia prevenir ou tratar câncer, doenças auto-imunes, doenças cardíacas, Alzheimer, diabetes e doenças musculares degenerativas, outros estudos não tem tido sucesso para comprovar esses achados. Isto nos leva a concluir que, exceto o benefício comprovado na saúde dos ossos e músculos, as evidências sobre outros supostos benefícios da vit D são inconsistentes, inconclusivas e insuficientes. Quanto à sua origem, a vit D é encontrada na alimentação em quantidades variadas (salmão, atum, sardinha, cogumelos, gema do ovo) e também é produzida pela nossa pele em contato com o sol. Infelizmente, no Brasil temos pouco acesso a alimentos naturalmente ricos em vitamina D. Por exemplo, o salmão de cativeiro que consumimos tem cerca de 4 vezes menos vit D do que o selvagem. Além disso, ao contrário dos países do hemisfério Norte, ainda não temos uma política bem estabelecida de suplementação de vitamina D nos alimentos. Portanto, a exposição ao sol é a nossa principal fonte de produção de vitamina D. A radiação UVB que atua sobre a pele produzindo a vitamina é aquela entre 10 e 14 horas, isto é, o horário mais forte do sol. Teríamos que ter exposição de 25% de área corporal nesse horário, sem protetor solar, por um período diário que varia de 5 a 10 minutos para acumularmos vitamina D. Mas sabidamente é nesse horário que temos maior risco de lesões de pele causadas pelo sol, incluindo o envelhecimento  e o câncer de pele. Aliás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina tem um número alarmante de pessoas com câncer de pele. Por isso, sigo a conduta sugerida pela American Academy of Dermatology e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e não recomendo que se exponham ao sol para produzir vitamina D. Embora a alimentação não possa suprir, hoje temos a opção de suplementos de vitamina D, muito acessíveis e de fácil uso. Reforço que a exposição ao sol comprovadamente traz vários benefícios à saúde, mas sempre antes das 9h ou depois das 17h, sempre com um bom protetor solar. Que tal obter os benefícios da vit D na medida certa, sem se expor a riscos ou a excessos? Fique atento e sempre se informe com seu médico.

Dr. Eduardo Guimarães Camargo
CRM 23404

Fonte: Jornal NH – Caderno Saúde – Segunda-feira, 06 de fevereiro de 2017.